F-Spyder abre portas para novos talentos
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terça-feira, 01 de abril de 2014
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
Não é de hoje que o automobilismo brasileiro enfrenta uma crise. E o grande problema está na formação de novos talentos. Os jovens que sonham com um futuro no esporte se queixam do alto custo, e principalmente, da falta de boas categorias de formação após a saída do kart, que geralmente é o ponto de partida da maioria.
E foi pensando justamente em dar um novo alento aos pilotos que a Fórmula Spyder fechou uma parceria com um grupo gerenciador de carreiras de pilotos, o LRM. A categoria de fórmula, criada em Londrina pelo ex-mecânico e piloto da Fórmula Truck Leandro Totti, chega a sua quarta temporada e quer ocupar essa lacuna que existe entre a saída de um piloto do kart e a sequência da carreira em outras categorias maiores. "Hoje, o que acontece é que o cara sai do kart e não tem onde andar", sentencia Totti.
Na década de 90, a Fórmula 3 era a grande opção para quem deixava o kart. Mas a categoria enfraqueceu, quase acabou e hoje sofre para se manter viva. Para disputar o campeonato, o piloto tem que investir R$ 24 mil por etapa. Criada este ano, a Fórmula Júnior veio para ser mais uma alternativa, mas os custos pouco mais de R$ 60 mil para a temporada ainda são considerados altos pelos pilotos.
E é aí que a Spyder pretende ganhar a concorrência. Para correr as oito corridas da temporada, um piloto desembolsa pouco mais de R$ 46 mil. E não é só isso. Na visão do empresário e representante da LRM, Joir de Lacaille, o conhecimento técnico que a categoria pode propiciar aos participantes é mais completo em relação às "concorrentes".
"Atualmente, os pilotos têm dois grandes problemas. Em primeiro lugar, o financeiro, e depois quando consegue um patrocínio esbarra na formação. E a Spyder é capaz de dar noções tanto de carro fórmula como de turismo, agregando muito aos pilotos que terão base depois para seguir tanto para um como para outro", ressalta o empresário carioca, que trabalhou quatro anos com o canadense Greg Moore, ídolo da extinta Champ Car, tradicional categoria de monopostos americana. A sua empresa integra um grupo de empresas que administra o marketing do brasileiro Hélio Castro Neves, atual vice-campeão da Fórmula Indy.
Através do projeto, alguns pilotos da empresa serão convidados a realizar treinos com o carro da Spyder. Se aprovados, eles serão selecionados para correr a temporada inteira, com acompanhamento de Totti.
Felipe Stanev, de 23 anos, foi o segundo a participar dos testes ele treinou ontem no Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Londrina. O piloto vê nesta parceria a chance de recomeçar a carreira. "A Spyder é uma boa base para se desenvolver tanto na pista como fora dela, com o auxílio do Totti. Será uma boa base, quero começar do zero e trabalhar", projeta o paulistano, que morou nos EUA por quase oito anos e está fora ao automobilismo desde 2008.
Na atual temporada da categoria, que começou na semana passada, nove carros estão confirmados, entre eles o do londrinense Tiago Scarpetta, de 25 anos, vice-campeão do ano passado e é tido como uma aposta para o futuro.
Após a passagem pela Spyder, a parceria tem como objetivo final levar os pilotos para campeonatos de turismo ou para o programa Road To Indy, que inclui as categorias USF 2000, Pró-Mazda e Indy Lights todas fórmulas e que serve de porta de entrada para a mais famosa categoria de monopostos americana. O caminho pode ser facilitado pelo fato de Lacaille ser representante da Juncos Racing, equipe da Pró-Mazda, na América Latina.


