Sepang, 17 (AE) - Poucas vezes a F-1 assistiu a uma demonstração de tamanha superioridade de um piloto como a do alemão hoje no GP da Malásia. Ele correu como quis: ora estabelecendo a melhor volta da prova, como na 25ª, 1min40s267 (melhor que o tempo de Eddie Irvine na classificação para o grid
1min40s635), ora segurando Mika Hakkinen. Pouco antes de fazer seu pit stop, na 28ª volta, passou a abrir 1,5 segundo por volta do finlandês. No final, em função do ritmo imposto, seus pneus estavam no limite máximo de sua vida útil. Mesmo assim, manteve uma diferença para Hakkinen de oito segundos na bandeirada.
O piloto da McLaren fez seu segundo pit stop na 47ª volta e seus pneus tinham 19 voltas a menos que os de Schumacher o final da corrida.
Chamou a atenção o desprendimento de Schumacher com relação a ajuda a Irvine, bem ao estilo do que o norte-irlandês lhe fez em várias ocasiões, em especial no GP do Japão de 1997. Havia dúvidas se ele agiria dessa forma. Mas nada disso funcionou por causa da leviandade da sua equipe no projeto, na construção e no controle dos defletores do carro. Schumacher não disputava um GP desde dia 11 de julho (cerca de 100 dias), quando se acidentou em Silverstone. A desclassificação da Ferrari deixa claro também que o time italiano não tem lá a proteção da FIA que muitos imaginam existir.
Não havia um único integrante das equipes, da direção da F-1, bem como dos profissionais de imprensa que não tivesse aprovado com todos os louvores o GP da Malásia. Quando alguma coisa não funcionava, várias pessoas da organização se apresentavam para tentar solucionar o caso. A beleza e praticidade do autódromo associados à forma carinhosa, espontânea, irrepreensível dos que trabalharam no evento deixaram a nítida sensação de que a F-1 ganhou uma corrida bastante especial. Não há dúvida também que a força dos petrodólares malaios colaboraram significativamente para esse sucesso.
Palvras de Eddie Irvine, depois de vencer a corrida. Ele ainda não sabia o que o aguardava: "O rapaz aqui (Schumacher) está depressivo, ele é o melhor piloto número 1 e o melhor número 2 também." Disse mais: "Não sei o que fazer com ele, só sei que ano que vem, quando correr contra, será bem mais difícil." Rubens Barrichello enxergou também o que o aguarda: "É, não é mole não, o alemão não é brincadeira." E concluiu: "Eu estou muito a fim de ver o que é pilotar um carro com o da Ferrari, rápido não apenas em uma volta como o meu, mas em toda a corrida."

mockup