F-1: nem os gênios escapam dos erros
São Paulo, 18 (AE) - Só nesta temporada foram dois erros crassos, até agora: Mika Hakkinen, atual campeão do mundo, liderava o GP de San Marino, quando na 17ª volta bateu sozinho, abandonando a corrida. Michael Schumacher venceu com Ferrari. Domingo, em Montreal, foi a vez do mesmo Schumacher, bicampeão do mundo, devolver o "favor" a Hakkinen. Ele tinha cerca de 4 segundos de vantagem para o finlandês e colidiu sua Ferrari contra o muro. Hakkinen ficou com a vitória. Os 50 anos de história de Fórmula 1 registram muitos desses acidentes, envolvendo até mesmo os maiores pilotos de todos os tempos, como Ayrton Senna.
Ninguém está imune na Fórmula 1 a cometer um erro e comprometer suas conquistas. Não há piloto que não tenha vivido a desgastante experiência de presenciar, de trás dos muros da pista, já com o capacete na mão, a passagem de um adversário liderando uma corrida que, até a volta anterior ao seu erro, já lhe parecia sua.
Seja por desatenção, imprudência, estresse físico, os pilotos, mesmo os mais hábeis, experientes e equilibrados, se equivocam na condução de seus carros.
E não é para menos. Os níveis de solicitação orgânica e psíquica da Fórmula 1 são extremos. Muitos desses profissionais são capazes de estabelecer tempos excepcionais em uma volta lançada. Poucos, contudo, têm a capacidade de serem velozes nas 70 voltas, em média, de um GP. Gilles Villeneuve era um velocista nato, mas ganhou apenas seis GPs dos 67 que disputou. Já Alain Prost, ainda que possivelmente menos veloz que o canadense, venceu 51 dos 199 GPs em que participou. Errou muito menos.
Um dos equívocos mais incríveis de Prost, um mestre da regularidade, ainda deve estar guardado na mente de Nelson Piquet. No GP da Holanda de 1983, o brasileiro da Brabham liderava a prova e o francês da Renault estava em segundo. Na 42ª volta, Prost atrasou demais a freada antes da curva Tarzan, no fim da reta dos boxes, bateu na Brabham e ocasionou o abandono de ambos.
Piquet, por sua vez, quis realizar uma ultrapassagem bastante arriscada no retardatário Elizeo Salazar, da ATS, no GP da Alemanha de 1982. Os dois bateram e ele deu de graça a vitória para Patrick Tambay, da Ferrari.
Outro erro de pilotagem que a Fórmula 1 não esquece foi o de Ayrton Senna no GP de Mônaco de 1988. O piloto da McLaren liderava com quase um minuto de vantagem para Alain Prost, seu companheiro, quando na 67ª volta, de um total de 78, tocou a roda direita dianteira na guia interna da curva Portirer, antes do túnel, fazendo-a erguer-se. Com uma roda direcional apenas sobre o asfalto, a esquerda dianteira, a McLaren não fez a curva
lançando o piloto contra a grade de proteção. Senna classificou o ocorrido como um marco divisório na carreira: antes e depois do acidente de Mônaco. Nem mesmo os gênios escapam. A diferença dos apenas bons pilotos é a frequência com que cometem seus erros, mesmo estando bem mais vezes no limite do equipamento.Por Livio Oricchio ------------------------------- ATT: MATÉRIA PARA DOMINGO --------------------------------





