Faltando menos de duas semanas para o início do Mundial de Fórmula 1, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) surpreendeu ao modificar radicalmente a forma de apontar o campeão, válida já nesta temporada. A partir de agora, o título ficará com o piloto que conquistar o maior número de vitórias nos 17 Grandes Prêmios do campeonato. Regulamento que permite que o novo campeão saia na metade da temporada, caso um mesmo piloto vença as nove primeiras provas.
O novo critério, no entanto, não exclui a atribuição de pontos aos oito primeiros colocados de cada prova, utilizando o sistema adotado a partir de 2003, que dá dez pontos ao vencedor, oito para o 2º colocado, seis para o 3º,
e diminui um ponto sucessivamente até o 8º colocado, que ganha um ponto. Esta pontuação servirá apenas como critério de desempate, caso dois ou mais pilotos conquistem o mesmo número de vitórias ao longo do ano.
Esta é a quinta vez que a pontuação da F-1 é modificada em 60 anos de história. Quando a categoria foi criada, em 1950, os cinco primeiros de cada corrida recebiam oito, seis, quatro, três e dois pontos, respectivamente, e ao dono da melhor volta cabia um ponto de bonificação. Em 1960, este bônus foi extinto e o sexto colocado passou a receber um ponto. No ano seguinte, a vitória passou a valer nove pontos. Nova mudança veio em 91, com a atribuição de dez pontos ao vencedor, no sistema que durou até 2002, substituído pelo que valia até hoje.
Apenas como curiosidade, se o regulamento que passa a valer agora fosse adotado nas 59 temporadas já realizadas, 12 títulos mundiais mudariam de dono, o que corresponde a pouco mais de 20% do total. Se as sete conquistas do alemão Michael Schumacher - recordista de títulos - e as cinco do argentino Juan Manuel Fangio permaneceriam intactas, a partir daí a lista dos maiores campeões mudaria. O francês Alain Prost, hoje isolado com quatro conquistas, teria a companhia de Ayrton Senna (que teria um título a mais) e do escocês Jim Clark (que herdaria dois campeonatos).
Já a lista de tricampeões seria formada pelo inglês Nigel Mansell (dois títulos extras), pelo escocês Jackie Stewart e pelo australiano Jack Brabham. Entre os brasileiros, Emerson Fittipaldi manteria o bicampeonato enquanto Nelson Piquet perderia dois títulos, empatando em uma conquista com Felipe Massa, que tiraria das mãos do inglês Lewis Hamilton o título do ano passado.
Além de 2008, quando Massa venceu seis corridas contra cinco do campeão Hamilton, outras 11 temporadas teriam vencedores diferentes. A primeira seria a de 1958, com o inglês Stirling Moss ganhando o troféu do compatriota Mike Hawthorn. Já Clark tiraria os títulos isolados do inglês John Surtess, em 1964, e do neo-zelandês Denny Hulme, em 1967. Nestas duas temporadas, o escocês saltaria do 3º para o 1º lugar. O Italiano Mario Andretti, campeão em 1978, ficaria também com o título do ano anterior, que é de Niki Lauda.
Outro novo bicampeão seria o australiano Alan Jones, que somaria à sua conquista de 1980 o título do sul-africano Jody Scheckter, ganho em 1979. O finlandês Keke Rosberg perderia seu título de 1982 para o francês Didier Pironi. Prost protagonizaria quatro mudanças, herdando conquistas de Piquet, em 1983, e Lauda, em 1984, mas perdendo os títulos de 1986, para Mansell (que ganharia ainda a taça de Piquet em 1987), e de 1989, para Senna.

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