F-1 deverá ser definida apenas no Japão
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quinta-feira, 14 de outubro de 1999
Por Livio Oricchio 
Sepang, 15 (AE) - A opinião de pilotos, donos de equipe e dirigentes da Fórmula 1 é quase unânime: o Mundial não deverá se decidir no GP da Malásia, prova que será disputada na madrugada de domingo, às 4 horas (horário de Brasília), no futurista circuito de Sepang, mas apenas na última etapa da temporada, dia 31 no Japão. A previsão de chuva torna as 56 voltas da corrida ainda mais emocionantes. Nesta madrugada será definido o grid de largada. A TV Globo trasmite, ao vivo, o GP da Malásia.
Para Michael Schumacher, a possibilidade de a Ferrari lutar pela vitória demonstra que dificilmente Mika Hakkinen e a McLaren deixarão Kuala Lumpur, a capital da Malásia, como bicampeões do mundo. Para o finlandês ficar com o título ele necessita vencer a prova e ainda torcer para Eddie Irvine não se classificar entre os quatro primeiros. Hakkinen tem 62 pontos e Irvine 60. "Seremos bem competitivos", prevê o alemão.
Já o seu companheiro é mais ousado: "O Mundial não será decidido aqui porque serei campeão em Suzuka." Opiniões dos concorrentes também transferem para a última etapa do ano a definição do título. "Torço para que tudo termine aqui mesmo, mas será muito, muito difícil em razão de a Ferrari estar bem mais forte com a volta de Michael Schumacher", diz Jo Ramirez, coordenador da McLaren.
O escocês David Coulthard, da McLaren, mesmo tendo ainda chances matemáticas de ser, pela primeira vez, campeão do mundo, confirmou que irá trabalhar para Hakkinen. "Suas chances de ser bi são agora maiores, o campeonato pode acabar neste GP." Na sessão livre desta madrugada não choveu.
Depois de alguns minutos, com a passagem dos carros, o asfalto secou. Mas a previsão do tempo para a prova é da mesma instalibilidade verificada na última etapa do calendário, em Nurburgring, quando chovia, depois parava, e, na sequência, voltava a chover.
"Vimos no GP da Europa que escolher a hora certa de parar nos boxes para trocar os pneus será decisivo", lembra Irvine, um dos pilotos mais prejudicados pela decisão errada de apressadamente substituir os pneus para asfalto seco pelos de chuva. "Todos falam em Hakkinen, Schumacher, acho que com tantas variáveis deve dar um outro piloto, como ocorreu com o Johnny Herbert, há duas semanas em Nurburgring", projeta Jacques Laffite, ex-piloto, hoje comentarista da TV francesa.
O diretor da equipe BAR, o polêmico Craig Pollock, pensa que Irvine pode mesmo ser campeão no Japão. "Não me surpreenderia se Hakkinen cometesse mais um erro nesta prova, ele está sob enorme pressão, o título ficará para Suzuka." Por considerar a Ferrari um time capaz de vencer a corrida, Jackie Stewart aposta na prorrogação para a última etapa a definição da conquista. "McLaren e Ferrari estão no mesmo nível neste circuito, não vejo como Eddie, também pelo fato de estar muito motivado, não possa estar entre os quatro primeiros."
O importante, para Stewart, é o piloto permanecer na pista, o que já é difícil quando chove, com os atuais pneus. Os três pilotos brasileiros pensam igualmente que o campeonato não acaba na Malásia. "Em primeiro lugar, querendo ou não o Schumacher vai ter de deixar o Irvine passar", aposta Rubens Barrichello, da Stewart, que dividirá com o alemão a Ferrari nos dois próximos anos. "Não é difícil para o Irvine classificar-se entre os quatro primeiros, a Ferrari é o carro mais regular da temporada."
As possibilidades de o título ser definido no Japão são muito maiores que em Sepang, comenta Pedro Paulo Diniz, da Sauber. "Suzuka" é a opinião de Ricardo Zonta, da BAR, que aposta em outro GP cheio de alternativas, como o de Nurburgring.


