Lúcio Flávio Moura
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
São Miguel, Foz e Asserpi lutam pelo título da Chave Ouro de 99. A Amafusa, de Maringá, corre por fora
A composição das equipes classificadas para as semifinais do Campeonato Paranaense de Futsal da Divisão Especial – Chave Ouro –, que começam neste sábado, comprova o domínio do Extremo-Oeste do Estado na modalidade. Das quatro equipes que ainda lutam pelo título, três são da região. Foz Futsal, Asserpi (ambos de Foz do Iguaçu) e São Miguel Futsal, de São Miguel do Iguaçu (45 quilômetros ao nordeste de Foz do Iguaçu), querem trazer o quarto título consecutivo da competição para a faixa de fronteira.
A Amafusa, de Maringá, terá que lutar sozinha contra a mobilização das duas cidades, que transformaram nos últimos anos os jogos de futsal na principal atividade de lazer da população. ‘‘Aqui temos tranquilidade, uma boa estrutura e o apoio de uma cidade inteira’’, explica Eduardo Pacheco Coelho, o Baiano, 32 anos, técnico do São Miguel Futsal (ex-Cavalca & Verona) desde março de 1997.
Ídolo de grande parte dos 30 mil moradores do município, Baiano é considerado o mentor do São Miguel vitorioso. Trouxe de seu Estado natal – o Rio Grande do Sul – a preocupação com os detalhes, que o fizeram exigir da diretoria a contratação de fisioterapeuta e psicóloga exclusivos. ‘‘Conseguimos convencer diretoria e jogadores de que a manutenção de uma boa estrutura é fundamental para se manter no topo’’, explica.
Os destaques Manta, Jerry, Flávio e Pica-Pau – quarteto pernambucano que ajudou o São Miguel a conquistar neste mês o bicampeonato nos Jogos Abertos do Paraná, em Toledo –, apesar de propostas de importantes clubes do País, continuaram optando pelo Extremo-Oeste graças a um sólido esquema de patrocínio do qual participam 30 comerciantes da cidade. ‘‘Enquanto estivermos ganhando, o dinheiro estará garantido’’, acredita Baiano.
Em Foz do Iguaçu, a paixão pelo esporte se reproduz na procura de crianças e adolescentes pelo trabalho nos 12 pólos de futsal, desenvolvidos em escolas públicas pela Fundação Municipal de Esportes.
A cidade abriga o todo-poderoso Foz Futsal – o time mais caro do Paraná e o único a disputar a Liga Nacional da modalidade –, equipe responsável pelo surgimento do pólo de excelência na região.
‘‘O desafio é não deixarmos que o entusiasmo desapareça com as derrotas, como ocorreu em outras regiões no passado. As vitórias são fundamentais para a continuidade desta hegemonia’’, observa Sérgio Bavaresco, diretor-geral da Fundação Municipal de Esportes, que sustenta o clube.
A Asserpi, caçula na divisão principal, foi a sensação das duas primeiras fases do campeonato. Ganhou 15 dos 21 jogos e perdeu a fama de zebra. A experiência de Joel de Locco, 55 anos, 35 deles passados em quadras de futsal, é o principal trunfo da equipe, com média de idade de 22 anos, a mais baixa entre os semifinalistas. ‘‘Não temos estrelas, mas temos vontade de sobra’’, garante o treinador, que também dirige a Seleção Paranaense.
A Asserpi – Associação dos Servidores Municipais de Foz –, é o principal clube da cidade, com quatro mil sócios. Em 1998, passou a investir no futsal, conquistando de cara o título da Série Prata (Campeonato Paranaense da Primeira Divisão). A equipe sobrevive com 5% da arrecadação das mensalidades dos servidores e patrocínio de dez empresas. ‘‘Hoje, os servidores têm orgulho da Asserpi’’, comemora o presidente do clube, João Pereira Sodré.

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