Curitiba - A busca por uma fatia, microscópica que seja, do milionário mundo do futebol cria uma realidade triste no futebol amador. Em Curitiba, existe um clube que é o retrato desta realidade. Mergulhado em dificuldades financeiras, o Expressinho Clube de Futebol, do bairro Sítio Cercado, vive o sonho de revelar algum jogador para ''vencer'' neste mundo. Na semana que vem este sonho estará mais vivo do que nunca. A equipe vai até Votorantim, em São Paulo, disputar a 7 Copa Brasil de Futebol Infantil, junto com times de tradição como Cruzeiro, Corinthians, São Paulo, Inter (RS), entre outros.
É a terceira vez que o clube participa desta competição, que é a principal vitrine nacional na categoria. A Copa é um chamariz para olheiros de grandes clubes e empresários, que buscam novos talentos. Talentos que o Expressinho espera mostrar. ''A gente trabalha muito para que algum grande time veja nossos jogadores e os levem em troca de algum recurso'', conta Leonildo.
Quando fala em recurso, o presidente do Expressinho é modesto, bem modesto. Só para ter idéia, o meia Artur, uma das revelações da equipe, foi negociado com o Paraná Clube por R$ 3 mil. ''Às vezes até por menos negociamos o jogador.''
O dinheiro ajuda no orçamento mensal do clube, que é de R$ 2,5 mil. O dinheiro vem basicamente da mensalidade da escolinha, que abriga 130 meninos de sete a 17 anos. Parte do dinheiro ajuda no material de treino do infantil, juvenil e dos juniores. A outra parte é repartida como salário entre o presidente e seus colaboradores. ''Dá para tirar uns R$ 300,00 por mês'', diz Leonildo.
Para os jogadores, a dificuldade financeira é apenas uma pedra a mais no caminho. ''A gente tem que investir no sonho. Se temos que pagar para jogar, a gente dá um jeito'', sonha o meia Alex Danilo Ternoski.

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