Explode coração!
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de julho de 1998
Agência Folha 
A Seleção Brasileira tenta estabelecer hoje a primeira situação de hegemonia histórica no futebol mundial, em plena era da globalização do esporte. A oportunidade surge na única decisão da história das Copas entre a seleção do país-sede e o último campeão mundial. Se vencer a França na final de hoje, a Seleção chegará a três marcas inéditas.
Primeiro, vai conquistar o quinto título mundial. Segundo, vai estabelecer uma vantagem de pelo menos dois títulos mundiais sobre as demais seleções. Alemanha e Itália, as principais rivais, são tricampeãs. Nunca, como o Brasil antes, uma seleção chegou tão perto de ter vantagem de dois títulos mundiais. A maior oportunidade até hoje foi também de uma Seleção Brasileira comandada pelo técnico Mario Zagallo. Em 1974, os brasileiros teriam chegado à final se tivessem conseguido superar a Holanda, o que fizeram, nos pênaltis, na última terça-feira, 24 anos depois.
Por último, será a primeira vez que uma equipe conquistará dois títulos seguidos desde o fenômeno da globalização do futebol. Esse processo foi iniciado com o desenvolvimento do futebol na África e Ásia e consolidado com a decisão Bosman, que abriu o mercado europeu aos jogadores de todo o mundo. A globalização fez elevar o nível do esporte em vários pólos antes secundários.
A evidência desse fenômeno são o título olímpico da Nigéria em 1996 e a entrada de uma nova equipe no clube dos finalistas de Copas, a França, o que não acontecia desde 1974.
Além do Brasil, só uma seleção, a Argentina, teve a oportunidade de vencer dois títulos seguidos desde o início da gestão João Havelange (1974-98). Os argentinos ganharam a Copa de 86, mas perderam a final seguinte, contra a Alemanha.
Uma eventual vitória brasileira também confirmará a supremacia sul-americana nas Copas, que chegaria a nove títulos, contra sete da Europa. Mesmo que perca, a Seleção já se consagrou como a principal equipe deste século. Só a Alemanha disputou tantas finais (seis) ou semifinais (nove) quanto o Brasil, mas conquistou menos títulos.
Na última das 16 Copas do século 20, o Brasil disputa sua sexta final. Perdeu a primeira, no Rio, em 1950, e venceu as seguintes, em 1958 (Suécia), 1962 (Chile), 1970 (México) e 1994 (EUA). O sucesso em Copas no exterior, especialmente o título contra os anfitriões de 1958, é um dos maiores trunfos da Seleção Brasileira. A França vai à final pela primeira vez, depois de fracassar em três semifinais (1958, 82 e 86).
A favor dos franceses está o fato de que a seleção da casa se consagrou em cinco das sete finais que disputou. Se o Brasil vencer a Copa, haverá uma consagração especial para dois membros da delegação brasileira. O técnico Zagallo se coroará como a maior figura da história das Copas. Ele disputa sua sexta Copa do Mundo e busca, como o Brasil, seu quinto título mundial. Em 1974, com ele como técnico, a Seleção ficou em quarto lugar.
O capitão Dunga entrará na lista dos grandes nomes do futebol brasileiro em Copas. Jogador com maior número de partidas pelo Brasil em Mundiais, ele vai se igualar em importância o legendário Zito, que jogou em 1958 e 62.
Outro jogador que sairá marcado por essa decisão é Ronaldinho. Atuando com problemas nos joelhos desde o início da competição, ele terá que enfrentar o zagueiro Desailly, apontado pela mídia francesa como o melhor jogador da Copa. Desailly, de forma incomum para um jogador de sua posição, não cometeu nenhuma falta. De seu setor não saiu nenhum dos dois gols que a França sofreu.
O Brasil possui o melhor ataque, com 14 gols. Como haviam feito no jogo com a equipe da Holanda, os brasileiros voltam a enfrentar uma seleção contra quem já jogaram duas vezes em Copas do Mundo em jogos eliminatórios, com um triunfo para cada lado. Em 1958, os brasileiros golearam por 5 a 2 e asseguraram a passagem para a final. Em 1986, a França eliminou o Brasil nos pênaltis, após empate em 1 a 1.


