Experiências da Fifa geram discussões
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sábado, 13 de outubro de 2007
Martín Fernandez<br>Agência Estado 
São Paulo - A utilização de mais dois árbitros em campo é vista de forma positiva por alguns e de forma temerosa por outros. Paulo César Oliveira, membro do quadro da Fifa e nota 10 na recente prova teórica aplicada pela CBF, aprova os testes. ''Achei uma medida interessante'', comentou. ''Mas ainda é preciso definir melhor o que cada um deles vai fazer. Se houver uma divisão bem definida das funções, acho que tem tudo para dar certo.''
O único risco, alerta Oliveira, é para uma possível divisão do comando do jogo. ''Quando penso em mais dois árbitros, isso quer dizer três autoridades em campo ao mesmo tempo'', explicou. ''Por isso é preciso resolver bem, para não haver diferenças de interpretação. Vai ser preciso muito treino.''
O ex-árbitro e hoje comentarista Arnaldo Cezar Coelho não pensa como Oliveira e critica a idéia da Fifa. ''Onde eles vão ficar? Atrás do gol? Do lado da área? Dentro do campo? Isso pode causar uma duplicidade de comando, o que nunca é bom'', argumentou. ''Hoje, o árbitro já delega algumas decisões ao auxiliar. O Zidane foi expulso na final da Copa do Mundo pelo quarto árbitro. Agora, vai ter ainda mais gente opinando.''
De acordo com Arnaldo, o fato de haver mais gente apitando o jogo pode provocar mais interrupções e mais discussões. ''O futebol é um jogo dinâmico, que não pode parar a cada lance polêmico. Se não, vira futebol americano'', acrescentou o ex-juiz, que apitou a final da Copa do Mundo de 1982. Ele, porém, também vê um lado bom. ''Vai ter mais gente cuidando do que acontece na área. Esse lance entre o Valdivia e o Gavilán, por exemplo, poderia ter sido mais bem controlado'', lembrou, citando o jogo entre Palmeiras e Grêmio, quando o volante do time gaúcho acertou um soco nas costas do chileno. ''É como aquelas placas de 'sorria, você está sendo filmado'. Quando o jogador sabe que está sendo observado, ele se comporta melhor. Vamos ver se dá certo.''
O presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Paulista de Futebol (FPF), Marcos Marinho, se preocupa com o aumento de custos que a medida trará. ''Não sei se vamos ter dinheiro para pagar todo mundo'', disse.
Um árbitro Fifa ganha R$ 2.500 por jogo no Campeonato Brasileiro. Cada auxiliar, R$ 1.250. ''Temos que pensar nesses fatores. A realidade dos clubes e das federações brasileiras não suportaria tal gasto.'' Do ponto de vista técnico, entretanto, Marinho diz que apóia os testes da Fifa.


