Contra a seleção de Zlatko Dalic (à direita), Deschamps pode se tornar o terceiro nome na história a conquistar a Copa como jogador e treinador
Contra a seleção de Zlatko Dalic (à direita), Deschamps pode se tornar o terceiro nome na história a conquistar a Copa como jogador e treinador | Foto: Dimitar Dilkoff e Franck Fife/AFP


Moscou – Tradição e a busca por um lugar ao sol se enfrentam na final da 21ª Copa do Mundo de futebol, que será disputada neste domingo (15) em Moscou. A França, com um título mundial e que já era apontada como favorita antes do torneio começar, faz sua terceira decisão contra a Croácia, que nunca havia chegado à final antes e que foi surpreendendo ao se classificar fase a fase.

Diversidade

Após conquistar o Mundial como capitão em 1998, Didier Deschamps poderá ganhar a segunda estrela para a França como técnico da equipe. É inegável que o finalista da Copa do Mundo leva a marca de "DD", como o treinador é conhecido em seu país. Um time que se parece com o jogador que levantou o troféu mundial com a França, a Liga dos Campeões com o Olympique de Marselha e que também defendeu Juventus, Chelsea, Valencia, entre outros: organizado, aguerrido, incansável, lutador e com muita ambição.

A atual França se destaca sobretudo pela capacidade de defender, a começar pelos atacantes, que não se incomodam em deixar suas posições para participarem da marcação. Além da sorte e dos conhecimentos futebolísticos, os jogadores franceses destacam o trato do comandante. "Tem uma estrela, algo que poucos técnicos podem contar. Venceu com a França sendo um grande jogador, um capitão e um líder", elogiou o meia Paul Pogba.

Em caso de título, Deschamps se tornaria o terceiro na história a conquistar a Copa do Mundo como jogador e treinador, repetindo o feito do brasileiro Zagallo e do alemão Franz Beckenbauer.

Em um momento em que grande parte da Europa manifesta hostilidade aos imigrantes, o meia Blaise Matuidi celebrou a chegada da seleção francesa à final como uma vitória da diversidade. Dos 11 titulares da equipe de Deschamps, sete são filhos de imigrantes de países africanos ou de outras nações europeias.

"A França representa a diversidade. É um país maravilhoso. Os franceses estão orgulhosos de como está se formando a equipe. A beleza dela é a diversidade", disse o jogador, nascido em Toulouse, filho de pai angolano e mãe congolesa.

Nacionalismo

Do lado croata, a Copa foi marcada por manifestações de afirmação da identidade nacional, que muitas vezes descambaram para a polêmica.

Após a classificação para a semifinal, superando a Rússia nos pênaltis, o zagueiro Domagoj Vida e o assistente Ognjen Vukojevic publicaram um vídeo nas redes sociais falando "Slava Ukraina!", algo como "Salve a Ucrânia!". Vukojevic foi multado pela Fifa e afastado pela HNS (Federação Croata de Futebol, na sigla local). O jogador e o assistente disseram que era uma homenagem ao apoio recebido do País por terem passado anos no Dínamo de Kiev. A Ucrânia e a Rússia vivem clima de tensão e relações diplomáticas praticamente nulas desde a anexação da Crimeia e a Guerra de Donbass, em 2014.

Em um segundo vídeo, Vida apareceu falando algo como "Queime, Belgrado!". Muitos entenderam como uma provocação à Sérvia, por causa do nome da capital do País. Porém, reportagens na mídia sérvia explicavam que Belgrado é também o nome de um famoso pub de Kiev e que Vida desejava uma grande festa no local. Houve investigação da Fifa, mas nenhum tipo de punição foi anunciada.

Após a vitória sobre a Argentina por 3 a 0, o zagueiro Dejan Lovren apareceu nas redes sociais cantando a canção "Bojna Cavoglave", adotada pela extrema-direita da Croácia.

Sem entrar em polêmicas, o meia Ivan Rakitic contou o desejo que tinha desde novo, quando rechaçou a Suíça, onde nasceu, para defender a Croácia. "Eu não acho que tenha sentimento melhor hoje do que ser croata. Quando fiz minha escolha por onde jogar, eu tinha um sonho. Sonhei com tudo. É a realização. A sensação mais bonita é ser croata no domingo", completou o meia do Barcelona.

Empolgado com o sentimento, Rakitic ainda afirmou que boa parte do mundo deve estar ao lado de seu país na final. "Para ser honesto, não sei quantas centenas de milhões de pessoas estão ao nosso lado. Recebo mensagens de argentinos, alemães, muita gente. Isso é muito fantástico. O que conseguimos fazer é realmente fantástico, merecemos isso. Estamos sentindo como se o mundo inteiro quisesse uma vitória croata."

Os jogadores de futebol são um exemplo da incrível desproporção entre o poder esportivo do País desde o fim de sua guerra de independência (1995) e sua população de 4,2 milhões de habitantes, embora esse montante aumente se levada em conta a diáspora nacional.

No handebol, a Croácia é bicampeã olímpica e campeã mundial. Sua seleção de polo aquático foi ouro olímpico em 2012 e prata em 2016. No basquete, brilha menos hoje, mas produziu duas lendas do esporte, Toni Kukoc e o falecido Drazen Petrovic. Neste domingo, será a grande chance do País de brilhar pela primeira vez no topo do esporte mais popular do mundo.

EM MOSCOU

França
Lloris; Pavard, Varane, Umtiti e Lucas Hernandez; Kanté, Pogba e Matuidi; Mbappé, Griezmann e Giroud. Técnico: Didier Deschamps

Croácia
Subasic; Vrsaljko, Lovren, Vida e Strinic; Rakitic, Brozovic, Rebic, Perisic e Modric; Mandzukic. Técnico: Zlatko Dalic

Árbitro: Néstor Pitana (ARG)
Estádio: Lujniki
Horário: 12 horas de Brasília (de domingo)

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