Experiência encobre a espera da comissão técnica por Ronaldinho
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quarta-feira, 18 de novembro de 1998
Agência Folha 
A Seleção Brasileira faz hoje o seu último amistoso neste ano, contra a Rússia com algumas alterações táticas. Ainda sem Ronaldinho, cuja volta à seleção é uma incógnita para a própria comissão técnica, a idéia, contra a Rússia, é recuar Denílson, deixando Amoroso mais adiantado ao lado de Élber. Será uma experiência, repetiu várias vezes Wanderley Luxemburgo. O Amoroso vem jogando assim na Itália e está se saindo bem. Vamos ver o que acontece na seleção.
Élber fará sua primeira partida pela equipe em território nacional. Eu já tinha defendido o Brasil na Alemanha e nos Estados Unidos, mas na nossa casa é diferente. Sentia falta do carinho da torcida. Sobre cobranças, Élber deu entrevista à TV alemã na qual comentou que, antes de virar atleta da seleção, ninguém se importava com ele. Agora, multado duas vezes pelo Bayern (uma por excesso de cartões e outra por faltar a uma entrevista coletiva), viu, só por estar nos planos de Luxemburgo, os episódios ganharem proporções gigantescas. Vou ter que pensar dez vezes antes de cada atitude.
Mais de uma vez, Luxemburgo foi indagado a respeito da suposta fragilidade do adversário de hoje. Como anteriormente, o treinador foi incisivo ao responder. O torcedor vai ao estádio para torcer pelo Brasil, para ver a sua seleção, não a dos outros. A França joga contra times mais fracos. E ninguém fala nada. É uma coisa que faz parte de um trabalho de médio ou longo prazo.
O capitão Cafu não só concordou com Luxemburgo como viu segundas intenções contra a seleção. Assim fica fácil para quem critica. Primeiro dizem que o adversário não presta. Se a gente ganha, não fez mais do que a obrigação. Se perde, o mundo desaba.
Luxemburgo está usando o quarto, no hotel Marina Park, em Fortaleza, que seria de Zagallo se o ex-técnico da seleção tivesse continuado no comando do time.
Fã do 13, Zagallo faz questão de se hospedar em apartamento que tenha o seu número da sorte. Luxemburgo, apesar de dizer que é supersticioso, mas sem a mania de Zagallo pelo número 13, está no quarto 3113. Segundo membros da comissão técnica do Brasil, foi uma coincidência. De acordo com a recepção do hotel, no entanto, teria havido uma confusão. Funcionários achavam que Luxemburgo fosse fanático pelo 13.
Sobre o ex-treinador, Luxemburgo fez questão de dizer ontem que pretende procurá-lo depois do Brasileiro-98 para trocar idéias. Os dois tiveram um desentendimento por conta de comentários de Zagallo sobre a briga de Luxemburgo com Marcelinho. Segundo o atual treinador, sua admiração por Zagallo não acabou.
Luxemburgo pretende ainda conversar com Carlos Alberto Parreira, campeão mundial pelo Brasil em 1994, de quem também se diz fã. Não sou dono da verdade. Defendo o diálogo, disse.


