Aos 38 anos, Adeluci Moraes já tem uma carreira repleta de vitórias no esporte. Já ganhou mais de 30 maratonas e 7 ultramaratonas. Com a experiência de quem já precisou se superar inúmeras vezes, ela também percorre o Brasil fazendo palestras motivacionais. No ano passado resolveu dar outro passo, desta vez como acadêmica. Ingressou no curso de Educação Física da Unopar e em novembro começou a trabalhar em um artigo sobre ultramaratonas.
Assim como na pesquisa da UEL, ela estuda os efeitos desse tipo de prova no atleta e como otimizar treinamento e recuperação. Aproveita os resultados do estudo da UEL para embasamento no artigo. Além disso, a atleta trata de algo fundamental para quem se propõe participar de uma ultramaratona, a parte psicológica. Para isso se baseia na própria experiência.
''O treinamento não é nada para uma ultramaratona se você não tiver cabeça. É preciso driblar as dores. Em uma das provas que participei, acabei sofrendo uma lesão no tornozelo. Em vez de parar, pensei comigo mesma: 'Estou sozinha com a dor e vou continuar correndo com ela'. Passei então a não me destrair mais com isso ou outras coisas para me concentrar na prova e fui contando: agora faltam 4 horas, agora 3 horas e assim por diante''.
Lidar com as dores pode não ser o único desafio para um ultramaratonista. O desgaste, segundo Adeluci, é sobre-humano e pode gerar consequências difíceis de se lidar durante o percurso. ''Durante uma prova na Grécia, onde percorremos o caminho do Rei Leônidas, houve um determinado momento em que eu 'entrei em alfa'. Chegava a confundir placas com gente e perdi parte da visão. Acabei parando, mas decidi voltar a correr, senão meu corpo iria travar por causa do cansaço''.
Através do artigo, Adeluci também inicia um projeto pessoal mais ambicioso. ''Quero desenvolver um método próprio de preparação para ultramaratonas''. (J.F.)

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