Começa hoje o sonho olímpico para a paranaense Natália Falavigna, do taekwondo. A partir das 22 horas (horário de Brasília), ela e outras 15 lutadoras da sua categoria (acima de 67 kg) entrarão no dojô (local de luta), do Ginásio da Universidade de Ciência e Tecnologia de Pequim para brigar pela glória olímpica.
Sua adversária na estréia será grega Kyriaki Kouvari, 24 anos, que tem como melhor resultado um vice-campeonato mundial universitário, em 2002. Se passar pela grega, Natália voltará ao dojô às 4h da madrugada do sábado. Depois, as semifinais serão às 6 horas e a final às 9 horas.
Natália, conforme declarou antes da competição o seu técnico Fernando Madureira, de Londrina, era a que tinha ''maiores chances de conseguir medalha para o Brasil'' - os outros brasileiros, Márcio Wenceslau e Débora Nunes, já lutaram em Pequim e não obtiveram resultados expressivos.
O prognóstico é com base na experiência internacional de Natália - a única do trio que já disputou Olimpíada (foi 4 em Atenas-2004) - e devido ao seu retrospecto em competições internacionais. Em 11 participações, ela subiu ao pódio nove vezes. A mais importante foi o título mundial adulto de 2005, na Espanha.
Nas lutas que iniciará hoje, sua dificuldade será maior do que nos Mundiais (além de ter sido campeã em 2005, foi 3 em 2007, na China). As principais candidatas ao ouro são a chinesa Chen Zhong, bicampeã olímpica em Sydney-00 e Atenas-04, e a mexicana Maria Rosario Espinoza, campeã mundial e pan-americana em 2007. Nas duas competições, a mexicana derrotou Natália e ficou com o título.
Perguntada pela FOLHA sobre suas chances de medalha, Natália não prometeu nada: ''Apenas quero dar o meu melhor''. Ela disse que sabe que tem condições, ''caso contrário nem teria vindo para Pequim''. ''Mas a briga será grande, pois todo mundo é favorito e tem potencial para chegar numa competição dessas. Quase todas já foram medalhistas em Mundiais'', discursou.
Natália, 24 anos, nasceu em Maringá e foi criada em Londrina, onde mora e onde começou a treinar aos 14 anos, na Academia Pequeno Tigre, com o técnico Clóvis Aires. Aos 21, após ter sido campeã mundial, passou a treinar em São Paulo e Campinas, mas ficou apenas dois anos distante do Norte do Paraná. Retornou a Londrina e adotou a equipe Fernando Madureira, que passou a concentrar, a partir de 2005, a maioria dos atletas da seleção brasileira.
Enquanto a pupila estará lá com a pressão por uma medalha, sua família ficará em Londrina na torcida. ''No Pan-Americano nós fomos ao Rio, mas achei terrível aquele tumulto que as pessoas fazem no ginásio torcendo. Se para os os outros é festa, para nós que somos pais é muito doloroso, principalmente naquelas lutas em que há morte súbita e a atleta pode ser eliminada a qualquer momento'', comentou sua mãe, Ana Maria Falavigna Silva. Por esse motivo ela informou que ficará à noite só com a família, assistindo pela TV.

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