Às vésperas de estrear na sua segunda Olimpíada, a atleta Natália Falavigna, 24 anos, que representará Londrina em Pequim, diz estar bem mais madura do que em 2000, quando foi a grande surpresa do taekwondo brasileiro nos Jogos de Atenas, conquistando o 4º lugar na categoria acima de 67 kg. Depois daquele resultado, confirmou em 2005 sua condição de melhor do mundo na categoria com o título no Mundial da Espanha.

Natália embarca neste sábado para a Coréia, onde a seleção brasileira fará sua aclimatação. Junto com ela irão Márcio Wenceslau (até 58 kg) e Débora Nunes (até 57 kg) - os únicos brasileiros que também conseguiram classificação -, além dos técnicos Fernando Madureira, de Londrina, Carlos Negrão, de São Paulo, e o coreano Pan Sun Chun, que há quatro anos integra a comissão técnica brasileira com vistas justamente aos Jogos da China. Nesta entrevista à FOLHA, Natália fala sobre seu amadurecimento desde 2004, a preparação mais profissional e o que espera alcançar contra as 15 adversárias que terá em Pequim.

FOLHA - Você se considera mais madura do que em 2004, quando surpreendeu o País em Atenas?
Natália - Sim, estou extremamente focada nesta reta final e contente com o trabalho. Foi uma programação feita de uma maneira muito científica, completa, periodizada, muito estudada pelos dez profissionais que hoje fazem parte da minha equipe. Estou satisfeita e sei que o trabalho agora é comigo.

FOLHA - Quanto acha que evoluiu nestes quatro anos?
Natália - A Natália de quatro anos atrás não chega aos pés do nível a que cheguei hoje. Tive um amadurecimento natural da vida, mas também uma melhoria muito grande na parte técnica, psicológica e física, sempre com a ajuda desses profissionais. Foi muito sofrido, pois todas as mudanças são dolorosas...

FOLHA - Em 2004, o 4º lugar a surpreendeu?
Natália - Não fiquei satisfeita porque perdi, mas ao mesmo tempo vejo que eu era um pouco limitada tecnicamente e estava amadurecendo, pois tinha apenas 20 anos. Fazia pouco tempo que eu lutava taekwondo (começou aos 14 anos e pegou a faixa preta aos 16) e recém havia saído do juvenil. Então até você pegar a malandragem, aquele amadurecimento de enfrentar a mesma atleta diversas vezes, é algo que demora. E acabei aprendendo com o tempo. Hoje, olhando pra trás, vejo que foi um bom resultado (o 4º lugar em Atenas).

FOLHA - Que resultado espera obter em Pequim?
Natália - Meu objetivo é fazer o meu melhor. Quero entrar lá e fazer tudo o que planejei e sair de lá com a sensação de dever cumprido, que me entreguei realmente.

FOLHA - No seu peso haverá 16 atletas. Há rivais mais difíceis que outras?
Natália - Adversário para mim não tem rosto. Haverá o sorteio das chaves para saber contra quem vou lutar e quem vier tenho que enfrentar. Quero desempenhar o meu papel e vencer quem quer que seja. Se vier a inglesa (Sarah Stevenson, campeã mundial em 2001) tudo bem. Se vier a mexicana (Maria do Rosario Espinosa, atual campeã mundial e pan-americana) ou qualquer outra, também. O que não posso é pensar demais numa adversária e perder o foco da competição, pois o meu objetivo é o ouro.

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