Exôdo precoce de jogadores já preocupa Ricardo Gomes
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domingo, 25 de janeiro de 2004
Agência Estado 
Viña del Mar - Desde que a Seleção Brasileira Sub-23 chegou ao Chile, dois jogadores já foram vendidos e um está em vias de ser negociado. Mais do que a saída desses garotos, o que preocupa o técnico Ricardo Gomes é o fato de estarem indo para campeonatos sem expressão e que não recebem atenção da mídia internacional. Dudu Cearense, de 20 anos, trocou o Vitória pelo Kashiwa Reysol (Japão); Marcel, de 22, foi vendido pelo Coritiba para o Samsung (Coréia do Sul); e Daniel Carvalho, de 20, está sendo negociado pelo Internacional com o CSKA de Moscou. ''Entendo que os meninos fiquem contentes por causa do dinheiro que vão receber, mas no aspecto técnico eles não vão ganhar nada indo jogar nesses países. O que o Dudu, que apareceu agora e já esteve até na Seleção principal, vai aprender jogando no Campeonato Japonês? Sem falar que vão sumir, não vou ter como observá-los se conseguirmos a vaga para a Olimpíada. E isso vai abrir espaço para outros jogadores'', disse o treinador.
Um exemplo de ''sumiço'' é o atacante Nádson, que se destacou no Vitória no primeiro semestre do ano passado, foi chamado para a disputa da Copa Ouro em julho e no meio da competição foi vendido para um clube coreano. Assim que o clube baiano anunciou a transferência, Ricardo Gomes disse ao jogador que sua chance de voltar a ser convocado era próxima de zero por causa da impossibilidade que teria de observá-lo. ''A tevê não passa o Campeonato Coreano e eu não vou até lá só para ver o Nádson. É uma pena, porque é um jogador interessante.''
O mesmo que aconteceu com o ex-atacante do Vitória vai acontecer com Marcel, que mal apareceu no Coritiba e já foi negociado. Jogar é assinar o pedido de desistência da Seleção. Daniel Carvalho convive com a possibilidade de ir jogar na Rússia. Ele tem contrato com o Inter até dezembro de 2005 e diz que quer ficar em Porto Alegre, perto da família e dos amigos. Mas sabe que sua vontade não contará nada se o clube decidir vendê-lo, ainda mais que se fala numa oferta de 8 milhões de euros. ''Não penso só no dinheiro, para mim vale mais ficar perto das pessoas de quem eu gosto. Mas vou entender a posição do clube se o presidente aceitar a proposta. Não posso me recusar a ir.''
Ricardo Gomes não é contra a saída do Brasil de jogadores jovens, desde que seja para um bom centro futebolístico. Ou seja, desde que seja para disputar torneios competitivos na Europa. ''O Kaká foi para o Milan e está crescendo muito, está sendo uma experiência maravilhosa para a carreira dele. O Júlio Baptista foi jogar no Campeonato Espanhol, o Luisão está num grande clube de Portugal como o Benfica. Em casos assim, sou favorável a que os jogadores saiam cedo.''
O único ponto negativo dessas transferências é a dificuldade que Ricardo passa a ter para contar com os jogadores em razão da intransigência dos clubes europeus para liberá-los. Ele não chamou Kaká, Júlio Baptista e Luisão para os amistosos de novembro contra Corinthians e Santos e não teve autorização para convocá-los para o Pré-Olímpico. E dois jogadores estreantes no grupo foram vendidos depois que chegaram ao Chile, sem falar na grande possibilidade de Daniel Carvalho também ser negociado e que Maicon foi sondado pelo Borussia Dortmund.


