Êxodo de jogadores em 2007 será ainda maior
São Paulo - O Brasil já perdeu quase 700 jogadores para o exterior em 2007, mas o número tem tudo para crescer. De acordo com o professor Oliver Seitz, do IBMEC (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais) de Curitiba, esse número pode chegar a 900 até dezembro. Seitz é doutorando em Indústria do Futebol pela Universidade de Liverpool, na Inglaterra, e desenvolveu um estudo para estimar as transações da temporada. No estudo ele tira a responsabilidade da Lei Pelé por esse êxodo de jogadores brasileiros.
''A Lei Pelé é sempre posta como culpada pelo aumento do número de jogadores transferidos. Na verdade o que prevalece é a lei de mercado. Não foi a Lei Pelé, mas sim o aumento do poderio econômico dos times europeus o grande responsável pelo aumento do êxodo de jogadores'', disse Seitz.
Desde 1989, quando os canais de televisão passaram a pagar mais pelos direitos de transmissão dos campeonatos europeus, os clubes tiveram de investir mais em contratações e passaram a buscar no Brasil muitos de seus novos astros, movimentando além de disso todo o mercado do futebol.
''Na Inglaterra, por exemplo, com o pagamento do novo contrato de televisão da Premier League (R$ 7,1 bilhões), toda a rede de transferências acabou sendo movimentada. O Manchester City leva o Elano e o Shakhtar Donetsk precisa contratar alguém para repor'', explica Seitz. ''É uma cadeia da qual o futebol brasileiro faz parte e não tem como escapar, já que tem como principal característica produzir e fornecer talentos.''
Seitz lembra que o Brasil tem uma infinidade de jogadores com potencial, mas o mercado brasileiro não tem onde abrigar todos eles. Regra que serve para todas as atividades econômicas. ''Em qualquer ramo é assim. Se há uma demanda muito grande de profissionais qualificados, mas não há empresas suficientes para empregá-los, a tendência é que esses profissionais procurem a sorte no exterior'', avalia.
Com essa tendência de exportar cada vez mais jogadores, alguns mercados passam a ser destino frequente de mão-de-obra barata, como Ucrânia e Turquia. ''Na medida em que a Copa dos Campeões ganha importância na Europa, forças de pequenos mercados, como clubes turcos e ucranianos, reforçam seu elenco para serem competitivos e buscam os não tão caros jogadores brasileiros'', explica.
O especialista não vê uma saída imediata para se mudar essa realidade. O último craque brasileiro que estourou e ficou por mais de um ano no seu clube foi Robinho, campeão brasileiro em 2002 e 2004 pelo Santos. ''Esse caso foge um pouco da realidade. O Robinho foi um destaque entre outros bons jogadores, como o Diego, que foi logo vendido para o Porto. O Santos, como todo clube brasileiro, só se mantém se vender seus jogadores. Só assim pode-se segurar algum jogador'', conclui Seitz. (Bruno Winckler/Agência Estado)





