São Paulo - O atacante Luizão comemorou o tri da Copa Libertadores e se mandou do São Paulo. Cicinho tem o passaporte europeu na mão. Robinho é o novo galáctico do Real Madrid e Deivid está bem longe de Santos. Repetindo situação comum nos últimos anos, os times considerados favoritos ao título do Campeonato Brasileiro terminaram a última rodada do primeiro turno desfigurados e mais frágeis do que no começo da competição.
Em 2004, segundo a CBF, 857 jogadores deixaram o País, número semelhante ao registrado em 2003, quando 858 atletas foram transferidos. Este ano, até o mês de julho, 406 atletas foram brilhar ou tentar a sorte em campos estrangeiros.
O principal destino de nossos craques tem sido Portugal. No primeiro semestre, 52 jogadores brasileiros acertaram contrato com clubes d'além-mar. A segunda preferência foi o Japão, que recebeu 27 atletas, seguido de um destino surpreendente, o Vietnã, que abrigou 18 atletas. Na América do Sul, nosso principal importador é a Bolívia, que até julho contratou 17 atletas nacionais.
O Santos, campeão de 2004, perdeu seu grande craque. Robinho, mesmo com contrato até 2008, acabou indo para o Real Madrid. Outros que deixaram o clube foram o atacante Deivid vendido pelo Bordeaux, dono de seu passe, ao Sporting e o lateral-esquerdo Léo, que foi para o Benfica. Além disso, Ricardinho também pode estar com os dias contados na Vila Belmiro. Sem os grandes atletas, a pergunta que fica é: será o time capaz de repetir a vitoriosa campanha de 2004?
A Ponte Preta chegou a liderar o campeonato por oito rodadas, mas perdeu seus craques e ocupa hoje a oitava posição com 33 pontos. Roger, autor de cinco gols, foi contratado pelo São Paulo em maio. O meia Harison, dono do próprio passe, aceitou uma proposta do União Leiria, de Portugal. E quem está de saída é Kahê, artilheiro da equipe com 11 gols, agora perto do Borussia Möonchengladbach, da Alemanha.
''É difícil competir com os times de fora, que têm muito dinheiro. Se aparece uma boa proposta não tem como segurar os jogadores. O Roger a gente queria vender mesmo, para fazer caixa, já o Harison saiu por vontade própria, até queríamos que ele ficasse. Quanto ao Kahê, não tem nada acertado, não'', diz o vice-presidente do clube, Marco Antônio Eberlim. O time de Campinas também viu partir o técnico Vadão, que saiu para o Verdy Tokio, do Japão.
Um dos responsáveis pelo tricampeonato do São Paulo na Libertadores, o atacante Luizão deixou a equipe para defender o Nagoya Grampus, do Japão. E o lateral Cicinho está muito próximo do Manchester United. ''Não dá para segurar os atletas. Além disso, se o jogador não quer ficar no clube, tem mesmo que sair'', afirma Juvenal Juvêncio, diretor de futebol.
Nos outros Estados, a história se repete. Na semana passada, o ataque do Flamengo perdeu Jean para a Turquia. E o Cruzeiro pode ficar desfalcado do atacante Fred, revelação do time.
Outro lado Em um campeonato de pontos corridos longo como o Brasileiro, quem vem se dando bem é o Corinthians. Mesmo perdendo o atacante Gil (foi para o Verdi Tokyo, do Japão) e o zagueiro Ânderson (está no Benfica, de Portugal), conseguiu contratar bons atletas com o financiamento da MSI. Resultado: o time lidera a competição e é um dos favoritos ao título.

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