ÊXODO - Futebol brasileiro continua perdendo craques
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sábado, 19 de junho de 2004
Almir Leite<br> Agência Estado 
São Paulo - O fenômeno se repete. A exemplo do que ocorreu no Campeonato Brasileiro do ano passado, quando várias equipes perderam alguns de seus melhores jogadores para o futebol do exterior no meio da competição, nestes últimos dias várias equipes ficaram privadas de seus craques, que estão a caminho, principalmente, da Europa. E muitos outros negócios devem ser fechados até setembro, quando começam os principais campeonatos do Velho Continente. A consequência é o esvaziamento do Brasileiro até porque, via de regra, as ''peças de reposição'' não são do mesmo nível das que foram retiradas e alguns times podem ter suas campanhas comprometidas.
Cruzeiro e Santos, atuais campeão e vice brasileiros, são os melhores exemplos deste risco. O time mineiro simplesmente perdeu aquele que foi seu principal jogador nos últimos tempos: Alex. Brigado com a torcida, exerceu o direito que tinha de definir o seu destino e assinou contrato de três anos com o Fenerbahce, da Turquia. ''A proposta era irrecusável. Tive outras (Paris Saint-Germain, entre elas), mas a da Turquia foi a melhor'', disse Alex. Além disso, queria voltar à Europa, pois minha primeira experiência lá não foi boa'', completou, numa referência aos problemas que teve em sua passagem pelo Parma italiano.
Os problemas do Cruzeiro não se resumem à saída de Alex: o lateral Maicon foi para o Mônaco francês e o volante Maldonado pode ir para o Brescia italiano. Reposições? Dentro das possibilidades, avisam os cartolas.
Caso parecido com o do Santos, que perdeu os zagueiros Alex (PSV holandês) e Alcides (Benfica) e o volante Paulo Almeida (Benfica). Além disso, o meia Renato pode ir para o Bayer Leverkusen alemão. E há sempre o risco de Diego sair, assim como Elano, que recentemente foi sondado pelo Paris Saint-Germain.
Wanderley Luxemburgo, claro, pediu e ganhou reforços. A diretoria barrou o zagueiro Antônio Carlos e o volante Amaral, mas contratou o goleiro chileno Tapia, o lateral Flávio, o volante Ricardo Bóvio e o meia Marcinho. Mas o diretor de futebol Francisco Lopes avisa: o Santos não abrirá mão da política de revelar talentos.
O Palmeiras também é vítima dos ''ataques predatórios'' dos europeus. Está perdendo seu principal jogador, o atacante Vágner Love, para o CSKA, da Rússia. Pior: só vai pegar US$ 5 milhões dos US$ 9 milhões da transação. Magrão e Pedrinho também têm propostas da Europa.
O São Paulo também pode ficar sem seu goleador, cortejado por Barcelona e, dizem, pelo Sevilha. Mas os dirigentes tentam, ao menos, receber um bom dinheiro. Se não for possível os US$ 20 milhões estabelecidos por cláusula rescisória, certamente o Tricolor pretende receber bem mais que os US$ 6 milhões que o Barça propôs inicialmente. Certo mesmo é que o clube não terá no segundo semestre o lateral-esquerdo Gustavo Nery, negociado com o Werder Bremen alemão, nem o meia Marquinhos, que será devolvido ao Bayer Leverkusen.
Os clubes cariocas, que já não estão muito bem das pernas, também sofrem com o êxodo de jogadores. O Vasco perdeu quase todos os seus jogadores experientes: Marcelinho Carioca foi para a França; Beto foi para o Japão; e Alex Alves negocia com a Coréia do Sul. Além disso Robson Luís pode ir para o Japão e o goleiro Fábio, para o Benfica.
O presidente Eurico Miranda diz não ter como impedir a saída de jogadores. Nem seu ''colega'' de Flamengo, Márcio Braga. O Flamengo, aliás, espera fazer algum dinheiro com seu único craque, Felipe, que, segundo se comenta, tem várias propostas da Europa.
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