Existe corrupção na arbitragem, diz auditor
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quinta-feira, 08 de setembro de 2005
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
O auditor do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) da Federação Paranaense de Futebol (FPF), Octacílio Sacerdote Filho, que preside o inquérito que apura as denúncias de um suposto esquema de corrupção na arbitragem do futebol estadual afirmou que está convencido de que houve compra de resultados na Série Prata do Campeonato Paranaense. ''Estou covencido de existe esse esquema'', disse Sacerdote.
O prazo para que ele conclua o inquérito expira na próxima segunda-feira e o auditor já adiantou que vai pedir a prorrogação por mais 15 dias, frustando a expectativa da FPF de que o inquérito fosse arquivado, já que o feriado prolongado impediu que todos os envolvidos fossem ouvidos. A entidade paralisou as atividades na terça-feira e vai retomá-las somente na próxima segunda, quando termina o prazo inicial.
A denúncia surgiu num programa de tevê quando o presidente do Conselho Deliberativo do Operário, Sílvio Gubert, sem saber que estava sendo filmado, entregou todo o esquema, dizendo que pagava R$ 2 mil por jogo para garantir a vitória em casa.
A cópia do programa ainda não chegou às mãos do auditor. ''Como a Federação está fechada, só vou saber se a fita já chegou na segunda-feira'', disse. Mas ele já adiantou que Gubert e o presidente do clube de Ponta Grossa, Sílvio Cosmoski, serão indiciados. O depoimento dos dois não convenceu Sacerdote. ''Eles foram muito bem orientados, treinados. Simplesmente tentaram se eximir e não esclareceram nada'', apontou o auditor.
A história foi agravada após o ex-árbitro José Francisco de Oliveira, o Cidão, afirmar que os árbitros eram comprados e que o presidente da Comissão de Arbitragem da FPF, Valdir de Souza, sabia de tudo. Na terça-feira, Souza e toda a comissão foram afastados dos respectivos cargos. Souza também corre risco de ser indiciado.
Cidão está na Inglaterra e deve ser ouvido por telefone. Sacerdote vai anexar a gravação do depoimento ao processo e pedir para que o ex-árbitro envie as provas que afirma ter por correspondência. O depoimento pode mudar o rumo das investigações e até mesmo o presidente da FPF, Onaireves Nilo Rolim de Moura, pode ser intimado a depor.
O auditor quer concluir o inquérito até a próxima sexta-feira. ''Vou pegar os depoimentos até quarta-feira e na sexta à tarde quero encaminhar a denúncia'', comentou.
O caso deverá ser julgado tanto pela Justiça Comum como pela Desportiva. O auditor também vai pedir à Promotoria de Investigações Criminais (PIC) que autorize a quebra do sigilo bancário dos suspeitos.


