Exemplo vem da Inglaterra, berço dos hooligans
São Paulo - Polícia, governo e justiça, juntos, conseguiram conter os hooligans na Inglaterra, em uma guerra que começou há mais de 20 anos. Mas uma tragédia precisou acontecer para que autoridades tomassem sérias providências em relação aos vândalos.
O episódio da final da Copa dos Campeões de 1985 entre Juventus e Liverpool, disputado no Estádio Heysel, em Bruxelas, foi a gota d'água: 39 pessoas morreram (todas italianas) e 400 ficaram feridas em um confronto generalizado antes da partida que, ainda assim, foi realizada (a Juventus foi campeã).
O Heysel reunia ingredientes comumente presentes em estádios brasileiros: infra-estrutura precária e superlotação. Cerca de 1h30 antes do início do jogo, a arena estava repleta boa parte das entradas, vendidas no mercado negro. Um setor neutro do estádio, que acabou tomado pelos italianos, foi alvo da fúria dos ingleses. Quando o confronto começou, torcedores foram prensados contra um muro, pisoteados até a morte. Foi o ápice da violência que começou a alarmar os ingleses na década de 50.
Após os acontecimentos de 1985, os clubes ingleses ficaram afastados de torneios internacionais por cinco anos. No âmbito político, a união de forças se mostrou fundamental. Foi criada a National Football Intelligence Unit, órgão responsável pelos eventos, assim como o treinamento de polícia extremamente especializada, junto de leis específicas para o futebol até com a criação de um disque-denúncia. Clubes passaram a ser responsáveis pelos eventos e tiveram de reformar todos os estádios; maus torcedores foram banidos dos jogos e cadastrados em um banco de dados único.
Marco Aurélio Klein, da Comissão Paz no Esporte, passou 10 dias na Inglaterra. ''Eles são um exemplo. Hoje, Londres recebe até oito jogos no mesmo dia uma média de 240 mil pessoas circulando pela cidade sem tumultos.'' (A.R./Agência Estado)





