Exemplo, ciclista sonha com Paraolimpíada
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sábado, 29 de junho de 2013
Thiago Mossini<br>Reportagem Local 
Era uma tarde de 2007. Diego Santana Bonifácio passava de moto pela Avenida Rio Branco, em Londrina, até que um Passat cruzou a sua frente. A pancada foi muito forte. Ele se quebrou inteiro. Estava ali, decretado o fim de sua carreira de ciclista, segundo os médicos. Mas Bonifácio conseguiu quebrar a previsão e hoje sonha com uma vaga na Paraolimpíada de 2016, no Rio de Janeiro. Ele mudou de classe no esporte, mas não perdeu os sonhos, mesmo aos 30 anos.
O paraciclista perdeu 40% dos movimentos da perna esquerda após o acidente, além de sofrer uma redução na tíbia e no fêmur. Ele tem a classificação 5 no paraciclismo, o que significa a elite da modalidade. Mesmo em situação desfavorável aos ciclistas que não são especiais, ele continua competindo fora do grupo paraolímpico e fazendo bonito. "Hoje, como paraciclista, estou mais forte do que eu era. Me dedico ainda mais. Qualquer prova que faço com os atletas normais, sou pódio", comentou Bonifácio.
Quem o vê treinando, nem imagina a situação que viveu seis anos atrás. O acidente causou muitas fraturas. Foram 12 cirurgias e dois anos de tratamento até conseguir voltar a levar a vida normalmente. Resolveu voltar para o ciclismo justamente para desafiar os médicos que o trataram. "Voltei para me recuperar, porque os médicos falaram que eu não recuperaria os movimentos da perna. Mas sou teimoso, como todo atleta", contou.
Recuperado fisicamente, a batalha agora é para se manter no topo da modalidade sem apoio financeiro. Bonifácio não tem nenhum patrocinador, o que faz com que perca algumas provas por falta de dinheiro para as despesas de viagem. E ele não precisa de muito, não. "Uns R$ 300 para viajar, mais uns 450 para manter a bicicleta, os equipamentos e fazer a suplementação. Não quero viver do ciclismo, apenas quero ter o dinheiro para competir", afirmou o paraciclista, que trabalha em um escritório de contabilidade.
O calendário não é tão cheio para os paraciclistas. São duas competições grandes por ano: o Brasileiro e a Copa João Schmidt, que valem para o ranking nacional. Se quiser continuar sonhando com o Pan de Toronto, em 2015, e com a Paraolimpíada do Rio, no ano seguinte, precisa se manter entre os três primeiros deste ranking.


