Vegetariano, 57 anos de idade, judeu. O norte-americano Glenn Grossman, que participou da Maratona da Antártica exibida pelo programa Planeta Extremo mês passado no Fantástico, corre para se ajudar e ajudar os outros. Maratonista há 26 anos, ele nunca deixou de correr 17 quilômetros todo dia e percorre o mundo disputando provas que testam sua resistência física e emocional. Londrina foi um das cidades que ele escolheu para correr na América do Sul, região que ainda faltava para completar sua coleção de maratonas. Ele terminou os 42 km no evento realizado no último domingo em 4 horas e 2 minutos.
Em uma entrevista exclusiva à FOLHA, Glenn revela que recentemente decidiu que vai participar de apenas mais três maratonas, uma na Austrália, uma no Polo Norte e outra em Miami (Estados Unidos) e então quer parar de correr provas longas para concentrar suas viagens em trabalhos voluntários. ''Depois que meu filho morreu, passei um tempo no Haiti atuando no voluntariado e foi impressionante como aquilo me ajudou a perceber como, apesar de toda minha dor, sou uma pessoa privilegiada. Resolvi então que preciso ajudar mais as pessoas'', comenta.
O filho de Glenn morreu aos 26 anos de idade, em 2008, vítima de overdose de drogas. Emocionado ao falar de sua perda, o maratonista explica que sempre conversava muito com o filho após seus treinos e não tê-lo presente tem sido bastante difícil. Atualmente ele é empresário de uma rede de informática que se chama ''Maratonas Computer''. Ele também tem outros dois filhos de um segundo casamento e faz do trabalho voluntário uma forma de incentivar os dois a serem mais altruístas.
Segundo o americano, a prova de Londrina, assim como as outras três que ainda faltam para ele concluir seu objetivo, fará com que ele consiga fechar o que os maratonistas chamam de ''Grand Slam'', quando se completa uma maratona em cada um dos sete continentes. Ele ficou sabendo da Maratona de Londrina por meio do médico londrinense Frederico Fraga que o conheceu na Maratona de Kilimanjaro, no Monte Kilimanjaro, situado no norte da Tanzânia, a 5.895 metros, a montanha mais alta da África. O médico que também participou da prova convidou Glenn para vir a Londrina. ''Lembro que quando estávamos subindo, oferecia para ele alguns suplementos e ele não aceitava. Ele realmente tem um ótimo condicionamento'', comenta Fraga.
A saúde do atleta realmente é de impressionar, já que é um vegano - vegetariano que exclui todo tipo de alimento animal, inclusive ovos e derivados de leite. Sem nenhum tipo de proteína animal no organismo, ainda assim Green teve energia para correr as quase cem provas. Para ele, mais que a saúde e a disciplina para os treinos, a força de vontade, o amor pelo filho que se foi e a confiança em Deus são fatores determinantes no seu desempenho.
''Deus para mim é tudo. Me sinto uma pessoa abençoada por Ele porque corri por tanto tempo e sempre tive saúde, nunca me machuquei, nunca sofri nenhuma lesão. Diante de tantas bençãos, acho que é hora de parar e me dedicar pelos outros'', finaliza.

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