EXCLAMAÇÕES DO EDITOR! - Quem vai pagar é você, mais uma vez
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de agosto de 2013
WALTER DE MATTOS JUNIOR<br>FUNDADOR E EDITOR DO LANCE! 
Estava certíssimo o governador Cabral em afirmar que o estado não deveria ser o gestor de um estádio de futebol nos dias de hoje. Os grandes estádios do mundo geridos por governos são Wembley,em Londres, e o Stade de France, em Paris, e ambos dão um prejuízo grande aos cofres públicos. Isto em países que não tem que lidar com os desafios de corrigir tanta desigualdade social, na saúde, educação, segurança pública... E nem têm que investir na infraestrutura, pois quase tudo está feito. Aqui não. Há muito o que fazer e os governos deveriam se concentrar somente nisto. Não vou entrar aqui no importante debate se o investimento de mais de R$ 1 bilhão é exagerado e se o estádio deveria ter sido demolido.
Mas o processo da concessão foi um festival de equívocos. Desde o decreto que proibia a participação dos clubes nos consórcios. As brigas com o Iphan, com os donos das cativas, com as federações esportivas usuárias do Célio de Barros e Júlio de Lamare (reclamar é do jogo, mas não deveriam ter ganho a batalha da opinião pública) e a falta de transparência de muitas das decisões que foram sendo tomadas ao longo do processo. E ainda tem os inúmeros erros operacionais e estratégicos do consórcio, liderado pela Odebrecht, neste início de operação do palco sagrado. Teve muita arrogância e incompetência por trás desta novela. O consolo, ou não, é saber que em Brasília tudo foi muito pior, do custo ao acabamento.
Mas noves fora, o novo Maraca é um estádio que emociona. Que tem a magia que não se compra na esquina. Que fez todos os brasileiros orgulhosos na final da ConfedCup há poucas semanas. Um dos mais bonitos e modernos do mundo.
As decisões recentes do governo do Rio, retirando do contrato assinado com o consórcio os parques de atletismo, de esportes aquáticos e o espaço dos índios, trazem consequências econômicas significativas de retorno para o consórcio, que deve gerir e manter o estádio por 35 anos. E o contrato tem que ser lucrativo e possibilitar que o Estado do RJ não tenha que investir outros bilhões no futuro, caso o estádio se deteriore.
Para contentar a minorias, um governo enfraquecido e acuado cedeu. Agora, ou o governo vai compensar o consorcio pelas significativas perdas econômicas do contrato ou, na falta destas compensações, pode o consorcio desistir do contrato e o Maraca voltar para as mãos do Estado do RJ, notoriamente incapaz para isto, como sabem todos os usuários do estádio. Não sei o que se pode fazer agora, dado que qualquer opção trará uma perda grande.

Homem que chora
Um monstro, Cesar Cielo do Brasil. Fosse a F-1 e seria assim narrada na TV cada prova que ele vencesse. Com musiquinha e tudo. Com direito a manchete do LANCE! e tudo. Mas é a natação, como são as modalidades esportivas que não o futebol (e era a F-1...)
Uma pena que o país só se liga assim a estes esportes, que são praticados por milhões de brasileiros, mas ainda muito pouco perto do que seriam se houvessem maiores incentivos, quando um Guga, um João do Pulo ou um Cielo se glorificam no plano mundial. A responsabilidade é de todos, inclusive da mídia. Mas é muito mais dos governos que não oferecem nem o mínimo recomendado pela ONU, cinco horas de prática semanal de esportes, no ensino público. Acho que o Cielo chora por tudo o que ele passou, o que só ele sabe, para vencer desta forma e se tornar o quinto homem tri do mundo. Mas ele também chora por nós!
Elegância e eficácia
Eu não vi Didi jogar. Algumas imagens dele jogando confirmam a elegância do craque. Não vi tantos outros craques, mas tenho o privilégio de ver Clarence Seedorf jogar. Didi foi apelidado de príncipe etíope. Pelo seu futebol elegante e pela delicadeza e sabedoria fora de campo, Seedorf merece ser chamado de príncipe aqui no Brasil. Príncipe holandês!
Manda quem paga
Não tem nada de surpreendente o Celso Barros , da Unimed, ao impor seu treinador favorito ao FFC. Este patrocinador é quem banca grande parte das contas e viabiliza o time que foi campeão brasileiro duas vezes em três anos. Não deveria ser assim. Escolher e contratar um treinador deveria ser obra dos profissionais do time, num regime empresarial e não amador. Mas para ser assim, a entidade tem que conquistar sua autonomia econômica e financeira. Não é para agora!

Ainda espero...
No futebol brasileiro não existe um jogador como ele. Ops, como ele? Quero dizer, como ele jogava antes de parar de jogar o que ele jogava. O Ganso me enchia os olhos. Quem não sonhava com ele no seu time? Passes de distância. Toques altivos, à la Zidane. Uma classe que o meio campo brasileiro não via há muito.
Eu fui um dos que culpou Dunga por não levar este talento (e mais o Neymar) para a África do Sul. Mas ele parou. Não sei se pelos joelhos baleados, pela carreira mal gerida, pela fase do Sampa e pela falta de foco no fut. O fato é que hoje muitos acham que seu futebol não cabe no futebol moderno, ágil e veloz, que Paulo Henrique não assimila. Ou não consegue.
Como seria bonito se ele nos surpreendesse!


