Excesso de jogos pode ser razão do trauma de são-paulinos
São Paulo, 31 (AE) - Um fantasma está perseguindo os jovens atletas do São Paulo: a fratura por estresse nos ossos das pernas. Em pouco mais de um ano e meio, quatro jogadores - Fábio Aurélio, Alexandre, Edu e Bordon, este no alemão Stuttgart hoje - sofreram com o problema. Segundo os médicos do clube, o extenso calendário do futebol brasileiro é o principal motivo desse tipo de contusão.
"É uma lesão inesperada, por meio de uma inflamação óssea, que enfraquece a estrutura de sustentação do corpo dos atletas"
explicou o médico Luiz Augusto Gaspar. Treinos rigorosos e o número elevado de partidas numa mesma temporada exigem um maior esforço dos jogadores.
Para o preparador físico do São Paulo, Carlinhos Neves, as atividades no clube não são consideradas abusivas. "Jogando sempre pelo clube e pela seleção, porém, os ossos vão-se deteriorando", explica.
O lateral-esquerdo Fábio Aurélio foi cortado da seleção brasileria sub-23, que disputa o Torneio Pré-Olímpico, no sábado
depois de sentir fortes dores na perna direita. Exames preliminares constataram uma fratura por estresse no perônio. "Estava tudo bem e, de repente, não conseguia mais correr", lembra.
Fábio Aurélio, que diz não ter férias há dois anos, chegou domingo a São Paulo e iniciou tratamento no CT da Barra Funda. Hoje, fez uma ressonância magnética. Os médicos do São Paulo também esperam o resultado de outros exames realizados na seleção. "Existem desde fraturas leves até as mais graves, que exigem cirurgia", destacou Gaspar.
No caso do lateral, talvez sejam necessários dois meses para a recuperação total. A situação do volante Alexandre, contudo, foi mais grave. Depois de um longo período de tratamento, o jogador não escapou da mesa de operação. Ele precisou colocar duas hastes metálicas, de cerca de 30 centímetros, nas duas tíbias. Alexandre ainda não voltou à sua forma ideal.
Uma coincidência envolvendo Alexandre, Fábio Aurélio e Edu também pode revelar outra causa do problema. Os três disputaram pela seleção, em abril do ano passado, o Mundial sub-20, na Nigéria. Como os campos no país africano são muito duros, o impacto do corpo no chão também seria capaz de causar a temida fratura nos ossos.





