Excesso de ingressos grátis preocupa clubes
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terça-feira, 04 de setembro de 2007
Agência Estado 
Rio - O torcedor que enfrenta as bilheterias do Maracanã tem se espantado quando o locutor anuncia o público presente e o pagante. O motivo: o número dos que não pagam ingresso para assistir aos jogos no estádio é, para dizer o mínimo, estranho. No clássico entre Fluminense e Vasco, realizado no domingo, quase 10 mil pessoas não desembolsaram um centavo sequer para acompanhar a partida. O público total foi de 50.548 pessoas, sendo que 40.871 pagaram ingressos e outras 9.677 entraram de graça.
Um dia antes, Flamengo e Sport bateram o recorde de público do Campeonato Brasileiro, com 51.552 pagantes. No entanto, havia no Maracanã 61.250 torcedores - ou seja, 9.698 entraram de graça. ''Isso é um absurdo, uma verdadeira evasão de renda. E é por isso que o Maracanã vai ser privatizado. A gente leva prejuízo de pelo menos R$ 40 mil por jogo'', protestou o presidente rubro-negro, Márcio Braga. Ele informou que o Flamengo vai participar da licitação do estádio, que deve sair no fim de outubro. ''Se ele for nosso, a farra do boi vai acabar.''
De acordo com a diretoria do clube, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) ganha 1.800 bilhetes por partida graças a uma parceria com a Superintendência de Desportos do Rio de Janeiro (Suderj), administradora do estádio. Desse total, segundo Braga, a maior parte fica com a entidade. ''É mais um absurdo de uma federação envolvida em crimes como formação de quadrilha, estelionato, falsidade ideológica e fraude processual.''
A Ferj rebateu a acusação. ''Os clubes são os responsáveis pelos ingressos e os distribuem à vontade'', disse seu vice-presidente jurídico, Cláudio Mansur. Ele reconheceu, contudo, como ''acima da expectativa'' a diferença entre público pagante e presente no Maracanã na temporada. ''Está demais, estranho mesmo.''


