O ex-volante do Londrina, Alexandre Bianchi, 34 anos, precisou passar por uma cirurgia para continuar jogando futebol. O atleta tinha uma esternose sub-valvar aórtica e se não se submetesse a uma intervenção cirúrgica poderia ter um mal súbito em campo.
A doença do jogador causava um entupimento abaixo da válvula aórtica, impedindo que o sangue saísse do ventrículo esquerdo para o corpo.
O ex-jogador e hoje vendedor conta que detectou que havia um problema cardíaco logo aos dez anos de idade, mas que não o impedia de jogar. ''Nunca afetou em nada''.
O problema mais grave veio à tona em 1994. Alexandre fez uma bateria de exames para poder renovar o contrato com o Londrina e foi descoberta a esternose. Ele tinha duas alternativas: fazer a cirurgia ou encerrar a carreira. Escolheu a primeira opção, mas demorou. ''Joguei mais cinco partidas sabendo que estava com o problema. Foi um momento de cabeça quente. Poderia ter morrido'', reprovou.
Foram menos de seis meses de recuperação, sob o acompanhamento do fisiologista do São Paulo, Turíbio Leite. ''Algumas pessoas chegaram a falar que eu estava inutilizado. Nunca tive medo, nem antes, nem depois da cirurgia'', contou o jogador, que encerrou a carreira em 2000, no Marília. ''Mas nunca mais joguei como antes'', confessou.
Washington - A morte de Serginho trouxe à tona o caso do artilheiro do Brasileirão. O atacante Washington, do Atlético, passou por uma cirurgia delicada no coração e o volante Alan Bahia ficou afastado dos gramados recentemente também por problemas semelhantes.
O caso de Washington é considerado um milagre, não só para o jogador, como para os médicos. O atleta de 29 anos descobriu que tinha diabetes em 1996, o que não atrapalhou seu desempenho nos gramados, até 2002, quando ele atuava pelo Fenerbahçe, da Turquia. Na época, um exame detectou obstrução total das artérias e até mesmo a equipe médica previu o encerramento de sua carreira. Ele foi dispensado da equipe turca e, após uma cirurgia em Istambul, retornou ao Brasil.
O Atlético firmou então um acordo com o jogador, que ficou seis meses treinando sem salário sob observação dos médicos do clube. Um novo exame apresentou problemas novamente e Washington quase perdeu as esperanças. Porém, a recuperação do atleta foi impressionante e, em fevereiro deste ano, o atacante voltou aos gramados e marcou na sua reestréia, na vitória sobre o Paraná Clube. Hoje, Washington segue à risca as orientações médicas, passa por exames a cada dois meses e deve fazer uma nova cirurgia no final do ano.

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