Enfrentar o São Paulo, pela final do Campeonato Paulista, não será uma tarefa fácil para os santistas, principalmente quando, além da força do adversário, as boas lembranças do ex-clube ainda estão vivas na memória. Os atacantes Caio, Dodô e Valdir e o zagueiro Márcio Santos, antigos defensores do Tricolor, vivem tal situação, divididos entre uma velha e uma nova paixão. Todos garantem que mágoas não foram trazidas do Morumbi.
O caso mais complicado é o de Caio. Foram 15 anos de convivência no São Paulo, desde as categorias de base. ‘‘Não posso negar que sempre terei uma carinho especial pelo clube, pois ainda conheço todo mundo lá, desde o porteiro até os dirigentes’’, afirmou atacante, um ex-sócio do Tricolor. Caio, por sinal, nasceu em uma família de classe média alta do Morumbi e passou a infância e a adolescência na região.
Hoje, porém, Caio já está quase adaptado à vida no litoral, longe da badalação paulistana. Dodô, seu companheiro de ataque, por outro lado, ainda não se acostumou à serenidade da nova cidade. ‘‘Morar em Santos é maravilhoso por causa da qualidade de vida’’, disse o jogador. ‘‘Agora, à noite, sinto muita falta da agitação da capital.’’
Segundo Dodô, as cobranças no time da Vila Belmiro são muito maiores do que as no São Paulo. A escassez de títulos importantes – o último estadual foi em 1984, por exemplo –, é o principal motivo. ‘‘A história e o passado vitorioso do clube exigem mais responsabilidade dos atletas’’, explicou.
Dodô não guarda ressentimentos do São Paulo, apesar de sua saída um tanto tumultuada do Morumbi. Assim como Márcio Santos, o atacante chegou a ser afastado do elenco por Paulo César Carpegiani, ex-técnico da equipe. O zagueiro, na verdade, vive uma situação delicada no Santos. Na Vila, Márcio Santos não conseguiu convencer o treinador Giba a conquistar uma vaga entre os titulares. Dodô, porém, parece que ganhou seu espaço, ao lado de Caio, no ataque.
A dupla, renegada por Carpegiani, não esquece, contudo, o título paulista conquistado em 1998, pelo São Paulo, sobre o Corinthians. Sensação quase alcançada por Valdir, em 96. ‘‘Fui vice-campeão, atrás do Palmeiras, mas pude viver um dos grandes momentos de minha carreira’’, declarou o atacante. ‘‘Saí dignamente do clube, em paz com a torcida e com a comissão técnica.’’
O técnico Giba não comandou o treino de ontem, pois estava com uma gripe muito forte. Com isso, a definição do time que começará jogando sábado, às 16 horas, no Morumbi, na primeira partida contra o São Paulo pela final do Paulista, ainda não aconteceu. Apesar disto, a ordem no CT Rei Pelé é acatar a decisão do treinador.

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