O que pode fazer um vendedor de picolés no litoral paranaense virar um grande nome do surfe nacional? Vontade de vencer. Mas isso não é tudo na carreira de Alex Lima. O atleta de 22 anos, natural de Pontal do Paraná, já está no mundo do surfe há dez anos competindo e vencendo provas dentro e fora do Brasil. A experiência, aliada à grande vontade de se dar bem em cima das ondas, está fazendo do paranaense Alex um dos grandes expoentes do esporte no Brasil.
A última conquista do atleta aconteceu na semana passada, quando venceu a terceira etapa do Circuito Catarinense de Surfe. A competição reuniu os melhores surfistas do Brasil e Alex foi considerado um dos mais competentes participantes da etapa, que foi disputada em Laguna.
Desafio – Hoje, Alex Lima entra nas águas da Praia Mole em Florianópolis-SC para a disputa da Taça Governador Mormaii, a sexta etapa do Circuito Brasileiro Profissional. Neste evento Alex vai encarar o irmão Rodrigo Lima e outro conterrâneo, o atual campeão paranaense da categoria Open, Alessandro Pulga. ‘‘A briga vai ser boa, pois a previsão é de ondas com mais de 1,5 metro, sem falar na qualidade dos adversários como o Rodrigo e o Pulga, que engrandecem a disputa’’, disse.
Para um garoto pobre do litoral paranaense, estar disputando as maiores competições do surf nacional é um sonho: ‘‘não sei o que seria de mim sem o surfe’’, revela o surfista, que através do esporte pôde ajudar a família a ter uma vida melhor. ‘‘Graças a Deus e a muito trabalho, hoje posso viver do esporte e melhorar a condição de vida dos meus familiares’’, conta.
Sobre a possibilidade de suceder Peterson Rosa, o maior surfista do estado, Alex é cauteloso e humilde: ‘‘O Bronco – apelido dado a Peterson pelos próprios amigos – é bem melhor, mas estou treinando duro para conseguir chegar a desenvolver meu surfe e ser um vencedor como ele é ’’, diz o surfista que tem estilo parecido com o de Peterson. ‘‘Sou um surfista técnico, gosto muito das batidas, mas prefiro o estilo cauteloso, para evitar quedas’’, revela.
Alex Lima credita ao trabalho e aos árduos treinos a mudança de vida que o fez deixar as caixinhas de picolés para subir nas pranchas em disputas pelo Brasil afora. ‘‘Infelizmente ainda há uma falta de valorização do atleta pelas empresas. Por isso, temos que dar o máximo para conseguir manter os patrocínios que são a única fonte de renda do atleta’’, disse o surfista, que recebe apoio da prefeitura de Pontal do Paraná, e das empresas Tamarindo, Drop Shoes, Pró Ilha e Pró light.

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