"Ex-rejeitados" assumem artilharia do Brasileiro
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quarta-feira, 29 de setembro de 1999
Por Evaldo Magalhães 
Belo Horizonte, 30 (AE) - Os atacantes Guilherme, do Atlético-MG, e Alex Alves, do Cruzeiro, que dividem a artilharia do Brasileiro, com 12 gols cada, têm em comum não apenas o fato de atuar por equipes mineiras. Os dois sempre tiveram dificuldades para se firmar como titulares nos clubes que jogaram, até a atual temporada.
Guilherme, emprestado pelo Vasco ao Atlético neste semestre, em contrato que vai até julho de 2000, sofreu muito, desde o ano passado. "Eu não consegui jogar no Brasileiro de 1998, porque fiz uma primeira partida pelo Grêmio e, logo depois, o Vasco comprou meu passe", diz. O atacante, paulista e de 25 anos, começou a carreira profissional no Marília, em 1992, de onde foi para o São Paulo. Após dois anos no tricolor, nunca como titular absoluto, seguiu para a Espanha, onde atuou no Rayo Vallecano. A experiência não foi das melhores e Guilherme voltou ao Brasil, em 1997, transferido para o Grêmio.
No Vasco, para onde seguiu no início de 1998, o jogador não teve muitas oportunidades, já que, aparentemente, jamais caiu nas graças do técnico Antônio Lopes. "Mas eu saí de lá sem mágoas, deixei muitos amigos e hoje estou bastante feliz e confiante no Atlético-MG", ressalta o atacante, autor dos três gols da vitória do time mineiro sobre o Flamengo, ontem (29), no Mineirão, e o único atleticano a conseguir esse feito, na história do clássico.
Se continuar com a média atual, Guilherme será, tranquilamente, um dos maiores artilheiros do Brasileiro deste ano: os 12 gols, até agora, foram marcados em apenas 11 jogos disputados.
ALEX - Revelado pelo Vitória-BA, pelo qual foi vice-campeão brasileiro em 1993, Alex Alves passou por diversos times - Palmeiras, Juventude e Portuguesa -, antes de vir para Belo Horizonte, no ano passado. Quase sempre, foi encarado pelos treinadores como uma espécie de "arma secreta". Ou ficava na reserva, sendo acionado no decorrer dos jogos, ou era escalado em partidas mais importantes, em que o técnico queria explorar sua velocidade, nos contra-golpes.
No Cruzeiro, a situação não foi diferente. Sob o comando do técnico Levir Culpi, Alex disputava desde o ano passado, quando a equipe foi vice-campeã brasileira, uma posição permanente entre os titulares, o que, praticamente, só veio a acontecer na atual temporada. Com os gols e o excelente futebol apresentado desde o início do campeonato, o atacante baiano conseguiu realizar seu sonho.
Famoso também por comemorar os gols com golpes de capoeira, em homenagem à terra natal, Alex atribui a conquista a fatores extra-campo. Ele se refere ao amadurecimento, que veio com o tempo, e à união com a modelo Nádia França - uma das ex-namoradas do craque Ronaldinho -, com quem espera um filho, para outubro. "Estou vivendo um momento muito especial na vida", diz o jogador. "Acredito que meu aproveitamento em campo é reflexo disso, além de muito trabalho", acrescenta.


