A história pregou mais uma peça no Coritiba. O garoto Ilan, 18 anos, que marcou três gols dos seis gols do Paraná no clássico de domingo, era para estar vestindo a camisa alviverde. O centroavante começou sua carreira há seis anos jogando no dente-de-leite do coxa, ficou um ano, levantou o título metropolitano de futebol, e se transferiu para o Paraná no ano seguinte.
Na verdade, Ilan Araújo Dall‘Igna sempre teve sua cabeça voltada ao Paraná. Começou no futsal do tricolor, se transferiu para o Coxa quando não permitiram que realizasse um teste usando agasalho. Bastou mostrar sua técnica no Metropolitano para os dirigentes das categorias amadores do Paraná o roubarem do Coritiba.
No primeiro ano de futebol Ilan atuava de volante. Ao recomeçar uma vida nova no Paraná Clube sentiu que tinha habilidade para jogar como atacante. Trocou a posição e passou a se destacar nos campeonatos juvenis e juniores, a ponto de ser profissionalizado este ano ganhando um salário de R$ 220,00. Depois de dois jogos, Ilan espera um aumento, para comprar um carro. Atualmente ele pega carona para ir aos treinos com o meia Lúcio Flávio.
O pior momento da vida desse jovem foi no juvenil, quando seu pai era treinador. Para evitar falatórios de favorecimento sempre ficava no banco. Agora, depois de quatro gols em duas partidas, espera novos ventos soprando em sua vida.‘‘Eu almejo me transferir para um clube grande, de preferência da Europa. Estou com 18 anos e preciso evoluir’’.
Apesar da fama rápida, Ilan tem a cabeça no lugar e não tem ilusões. ‘‘Tive um grande assédio depois do jogo. Isso é bom, mas não é duradouro. Ontem foi ontem. Hoje é hoje, amanhã, amanhã. Não posso me deixar envolver pela fama rápida. Pretendo continuar seguindo minha vida com humildade, para administrar toda a badalação’’.
O pai William, o maior incentivador do centroavante, mesmo depois da atuação impecável contra o Coritiba, encontrou motivos para ‘‘pegar no p钒 do filho. ‘‘O meu pai achou que eu peguei pouco na bola. Ele estava ouvindo o jogo pelo rádio. Falei pra ele que o importante era fazer gol, e eu fiz três’’.
Ilan tem Edmundo, da Fiorentina, como seu maior ídolo, mas disse não ter o mesmo gênio, se tivesse, teria revidado a cotovelada dada pelo zagueiro Flávio no segundo tempo, que lhe deixou a vista turva, obrigando sua substituição. ‘‘Eu não ia ganhar nada se revidasse ou se reclamasse para o juiz. Preferi ficar na minha’’.
Ilan não pretende largar o estudo apesar do sucesso atual. ‘‘Preciso ter uma opção para o futuro se o futebol não der certo’’. Ilan é tão diferente dos jogadores tricolores que até mesmo na música difere da maioria. Gosta de pagode, mas é chegado mesmo em bandas como Bad Religion, Pennywise e Off-Spring.
Esperando mais uma chance de começar jogando na próxima quinta, contra o Batel, na Vila Capanema, às 20h, Ilan espera repetir o feito de marcar três gols na mesma partida. O técnico Márcio Araújo ainda não confirmou a manutenção do atacante. O treinador disse que define a equipe amanhã.
O meia Everaldo está fora do jogo contra o Batel. Ele teve uma distensão e deve ficar pelo menos 20 dias no Departamento Médico. Carlos Alberto Dias levou uma pancada, mas deve ser liberado até quarta. O caso de Fernando Diniz inspira cuidados. Os movimentos do pé direito continuam afetados. Valdeir ainda é dúvida. Washington sente dores, e deve ficar mais alguns dias em tratamento.
As opções de Araújo para escalar a equipe são poucas. O lateral-esquerdo João Pessoa deve substituir Everaldo. No caso de Carlos Alberto Dias não se recuperar, Itamar é a opção. Se Fernando Diniz e Washington ganharem condições, Ilan e Fernando devem ser sacados. O carrasco paranista não tem medo de voltar à reserva. ‘‘Há um mês eu estava nos juniores. Tenho tempo para me firmar como titular’’, disse Ilan.Albari RosaCoisas do destinoO atacante Ilan, 18 anos, que marcou três gols no clássico, começou no dente-de-leite do CoritibaFernando Tupan

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