Feriado de 7 de setembro de 2004. O dia em que o país celebrava sua independência, o Londrina chorava a sua prisão no ostracismo dos clubes que não estavam nas duas principais divisões do futebol brasileiro à época. Com a derrota por 2 a 1 para o Ceará no Castelão, em Fortaleza, o time, que tinha entre os titulares o volante Germano e o atacante Alexandre Oliveira, estava matematicamente rebaixado para a Série C de 2005, que era a última divisão do futebol nacional naquele tempo. Hoje, dez anos e um mês depois, o time pode comemorar sua nova inclusão na terceira divisão nacional.
Cair para a Série C em 2004 para o Londrina, que vinha de três décadas entre as séries A e B, foi uma tragédia a ponto de fazer o time quase fechar as portas. As receitas sumiram, o clube chegou ao fundo do poço. "Do jeito que vi aquela época, imaginei que fosse fechar, como o Grêmio Maringá, o União Bandeirante, o Cascavel e tantos outros", revelou o então presidente Carlos Alberto Garcia. Sim, o destino quis que o maior ídolo dentro de campo do clube fosse o presidente do rebaixamento. "Na época, não podia nem abrir conta em banco, tinha oficial de justiça penhorando renda na fonte, jogadores em final de carreira, o Lico e o Raul (Plassman, que foram dirigentes e treinadores naquela temporada) a quem dei total autonomia e me decepcionaram. Foi culpa foi totalmente minha", afirmou Garcia, hoje comentarista de rádio.
Ele renunciou ao mandato e o clube correu sérios riscos de fechar as portas. Isso não ocorreu porque Agostinho Garrote, como o próprio costuma dizer, pegou "o bastão no chão", e evitou o pior.
No ano seguinte, ele comandou a equipe na Série C, na última participação da equipe na competição, cheio de dificuldades financeiras. "O Garcia renunciou, o Conselho (Deliberativo) também renunciou e eu assumi. Não iria deixar o time morrer", diz Garrote.
Odair Oriani, o popular Barbante, acumulava o cargo de vice-presidente, diretor financeiro e diretor de futebol. Viveu afinco os dias de penúria do time na Série C de 2005. "Com uma folha de pagamento de R$ 40 mil, ficamos em 13º entre os 40 times (na verdade foi 14ª colocação entre 63 participantes)", afirmou o folclórico dirigente, que ficou conhecido por invadir o gramado e chutar uma bola ao gol após uma cobrança de pênalti alviceleste na disputa com o Paranoá, em um dos mata-matas. O time avançou à fase seguinte, mas foi eliminado pelo Ceilândia nas oitavas de final. "As dificuldades que nós passamos eram muitas. Não tinha dinheiro para nada. Fazia vaquinha, rifa, saía atrás de colaboradores para fazer pagamento", lembrou. O clube chegou a comandar uma ação de arrecadação de latinhas de alumínio para pagar uma multa imposta pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
O trio estará no estádio do Café hoje para torcer pelo acesso do LEC à Série C. Barbante, inclusive, arrumou problema com a esposa, que teve que viajar sozinha enquanto ele ficou para ir ao estádio. São unânimes em avaliar o momento atual.
"É um sentimento de alegria e de reconhecimento de que temos que agradecer ao (gestor Sérgio) Malucelli. Se não fosse ele, o Londrina já teria fechado, independente de qualquer presidente que já passou. Está sendo uma conquista", afirmou Garcia.
"Hoje não tem nem comparação. Até que enfim pegaram uma pessoa do futebol, respeitada e com dinheiro para tocar futebol. O momento é diferente, outra realidade. Os jogadores recebem em dia, moram em um lugar excelente, treinam em um dos cinco melhores CTs do Brasil", definiu Barbante.
"O clube está no caminho certo, bem administrado, são tempos novos. Na época, quando assumi, foi com essa intenção. Era segurar o clube até que viesse alguém que pudesse dirigir o clube de forma mais tranquila financeiramente", apontou Garrote.
Sobre o resultado de hoje, o trio também mantém o receio em apontar o favoritismo do Tubarão. "Tem que ganhar primeiro. Subir é um passo muito grande para algo melhor", analisou Garcia.
"A esperança é grande domingo, mas dá medo porque já vimos tanta coisa no futebol", continuou Barbante. "Se eu disser para você que esta semana inteira eu estou empolgado, nervoso, preocupado com esse jogo. Sempre podemos ter surpresas, mas estou muito feliz porque esse passo que o LEC vai dar agora é muito importante para o futuro do clube", completou Garrote.

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