Dorival Pagani, 60 anos e uma história pintada de azul e branco. O último presidente vitorioso do Londrina começa a acrescentar o vermelho às suas cores preferidas como diretor da Portuguesa Londrinense. Neste domingo, quando os dois times se enfrentarem, ele estará do outro lado da arquibancada pela primeira vez em um jogo do principal torneio do futebol paranaense.
''É apenas uma continuidade do trabalho que fizemos na Divisão de Acesso pelo outro clube da cidade. Uma coisa absolutamnte normal'', desconversou o dirigente, descartando qualquer revanche. ''Domingo sou Portuguesa, mas no restante do campeonato é claro que vou torcer para o Londrina''.
Pagani foi presidente interino do Londrina entre o fim de 1988 e durante 1989 inteiro. Em 1990, assumiu como presidente eleito e ficou até janeiro de 94. Neste período, venceu três vezes a Taça Londrina, ganhou um Paranaense de Juniores e conquistou o último título de importância do clube, o Estadual de 92.
Em épocas diferentes, teve outros cargos diretivos no clube e se afastou definitivamente em 2004, quando foi ''dar uma mão'' na montagem do time lusitano para a Segundona daquele ano. Não saiu mais do clube da Vila Santa Terezinha e participou dessa evolução da Portuguesa de lá pra cá. ''Ele veio, bebeu da água e não quis mais sair. É meu braço direito aqui e peça muito importante na Portuguesa hoje'', elogiou o presidente Amarildo Vieira Martins.
Durante a briga jurídica travada entre os dois clubes motivada pela mudança de nome de Associação Portuguesa Londrinense para Grande Londrina Futebol Clube, vencida pelo Londrina, ele foi enxotado do Tubarão. Conselheiro vitalício, Pagani foi declarado ''persona non grata'' no clube e foi proibido de participar das reuniões do Conselho Deliberativo.
Na mesma época, foi execrado pela torcida durante um jogo entre Londrina B e Lusinha pela Divisão de Acesso. No reencontro, ele espera não ser xingado novamente. ''Provocaram o que tinham direito. Espero que me respeitem pelo meu passado no clube. Eles que cobrem das pessoas que me tornaram 'non grato', que consertem o Londrina'', desabafou, revelando ainda uma certa mágoa dos colegas de conselho.
Nascido em Novo Horizonte (SP), Pagani começou sua história no futebol, ironicamente, no finado Grêmio Esportivo Maringá, o maior rival do Londrina. Ele foi um dos fundadores do clube maringaense que duelou com o Tubarão pelo título de maior força do interior. (T.M.)

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