Ex-presidente da FPF deixa a penitenciária
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sexta-feira, 28 de março de 2008
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O ex-presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF), Onaireves Rolim de Moura, deixou na noite de quinta-feira o Centro de Triagem da Penitenciária Estadual de Piraquara (PRP), na Região Metropolitana de Curitiba, depois de ficar quase cinco meses preso sob a acusação de formação de quadrilha. Ele foi solto com o aval do Ministério Público (MP) estadual depois de perder 50 quilos e apresentar quadro de anorexia. No período da prisão, Onaireves se submeteu a duas cirurgias (uma de vesícula e outra por conta de infecção hospitalar).
''Concordamos por uma questão humanitária. Queremos a rigorosa execução da pena, mas temos que nos curvar aos preceitos constitucionais. A manutenção da prisão, nesse caso seria desumana e degradante. Ele corria o risco de morrer e no Brasil não tem pena de morte'', ponderou o promotor Eliezer Gomes da Silva, da 5 Vara Criminal de Curitiba.
Onaireves e outras oito pessoas foram presas no dia 6 de novembro do ano passado durante a Operação Cartão Vermelho, da Polícia Civil. As prisões foram possíveis após análise da contabilidade da Comfiar e do material apreendido em junho na própria sede da FPF. A empresa Comfiar foi criada em 1994 por meio de um estatuto, mas só foi constituída a partir de outubro de 2006. Caberia à empresa a fiscalização da renda dos clubes, a comercialização dos campeonatos e a operação da FPFTV - uma televisão criada para transmissão de jogos pela internet. Entre o material apreendido, estavam balancetes, atas, contrato social e listas de funcionários. Só com as transmissões, os desvios somariam R$ 5 milhões.
No início, existiriam indícios de que Onaireves usava a Comfiar para não pagar os credores da federação, já que 2,5% da arrecadação dos jogos no Campeonato Brasileiro eram da empresa e outros 2,5% da FPF. No caso do Campeonato Paranaense, 5% eram da FPF e outros 5% da Comfiar. O grupo também teria desviado R$ 350 mil de direitos de transmissão dos campeonatos paranaenses de 2006 e 2007.
A FOLHA tentou ontem contato com Onaireves, que não atendeu as ligações. No escritório dos advogados, a reportagem deixou recado, mas não recebeu retorno.


