Ex-presidente da CBF entra na mira da Fifa e do FBI
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quinta-feira, 22 de outubro de 2015
Jamil Chade<br>Agência Estado 
Zurique - Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, está sendo investigado pela Fifa, pelo FBI e pela Justiça da Suíça. A informação é do Comitê de Ética da entidade que, oficialmente, indicou que o brasileiro está sendo examinado. Se for punido, ele pode ser obrigado até a deixar todas as suas relações com o futebol ou mesmo a pagar multa milionária.
Teixeira é suspeito de ter vendido seu voto para a Copa do Mundo do Catar, em 2022. A lista dos nomes de cartolas sob investigação foi revelada nesta quarta-feira, depois que a Fifa aprovou mudanças em seus estatutos para permitir que sejam divulgados casos sob suspeita. Sua revelação também abre sérias dúvidas sobre a capacidade de o país do Oriente Médio manter o Mundial, se ficar provado que esses dirigentes venderam seus votos.
A medida é uma das decisões tomadas pela Fifa diante da pior crise de sua história. Para quem ficou na entidade, a única opção é a de revelar a dimensão da corrupção e afastar todos os envolvidos para que um novo grupo possa tomar o poder.
A informação sobre Teixeira já estava em um informe secreto produzido pelo ex-investigador da Fifa, Michael Garcia. Mas Joseph Blatter decidiu abafar as suas conclusões. Com a suspensão de Blatter, quem ficou começa a revelar o que de fato ocorreu nos corredores da Fifa por anos e como o Catar foi escolhido para sediar o Mundial.
A reportagem revelou em 2014 que a suspeita se referia ao jogo amistoso entre Brasil e Argentina, disputado no Catar e que poderia ter servido como forma de compensar tanto Teixeira como o argentino Julio Grondona pelo voto que dariam aos árabes. O jogo aconteceu dias antes da eleição na Fifa, em 2010, que definiu a sede da Copa de 2022.
Ricardo Teixeira disse nesta quarta-feira que não teme a investigação da Fifa. Revelou que votou na Espanha para sede da Copa de 2018 contra a Rússia e no Catar para 2022 em um acordo feito com dirigentes sul-americanos.
BECKENBAUER
Além de Teixeira, a lista publicada nesta quarta-feira pelo Comitê de Ética revela a dimensão dos escândalos dentro da Fifa e da forma pelo qual o Catar pode ter atuado para ficar com o Mundial. O órgão inclui o ex-jogador Franz Beckenbauer e o cartola espanhol Angel Maria Villar, vice-presidente da Uefa, entre os suspeitos.
Uma decisão rápida deve ser tomada no caso dos dois dirigentes europeus. Ambos são investigados por seu papel no caso da suspeita de compra de votos para a escolha da Copa do Mundo de 2022. Eles faziam parte do Comitê Executivo da Fifa que, em 2010, votou a escolha dos Mundiais de 2018 e 2022.
A informação sobre os dois europeus é mais um golpe extra à Uefa, que tenta reconquistar o poder na Fifa com uma imagem de serem os únicos a poder lutar contra a corrupção.


