Ex-paranista tira sono de atacantes
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sábado, 12 de julho de 2008
Dimas Rodrigues<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Ele é ídolo no Paraná Clube, mas foi bem longe do Brasil que o goleiro Marcos se consagrou como jogador. Titular absoluto na equipe do Marítimo, de Portugal, há cinco temporadas, o ex-goleiro do Tricolor, desde quando chegou ao novo clube tem sido apontado pela imprensa e até por torcedores de times rivais como um dos principais atletas do futebol português.
Tanto prestígio faz com que o nome do camisa 1 paranaense apareça com frequência nas rodas de conversa dos torcedores portugueses como solução para a meta da seleção lusitana. Ricardo, o atual goleiro, ou melhor 'guarda-redes' do time de Felipão não tem unanimidade no país. Marcos, no entanto, preferiu desconversar sobre a hipótese de um dia, caso conseguisse se naturalizar português, servir uma seleção que fala a mesma língua, mas não veste verde e amarelo. ''Isso são só boatos que surgem, mas não tem nada não'', desconsiderou. ''Como todo jogador, o grande sonho é jogar pela seleção brasileira. E quem sabe um dia...'', vislumbrou o goleiro que disputou cinco Brasileiros pelo Tricolor.
Hoje é fácil perceber o quanto Marcos confia em seu potencial. Mas quando chegou ao Velho Continente, a auto-estima do jogador não era a mesma de agora. Pelo contrário. Nascido na pequena Siqueira Campos, o goleiro passou grande parte de sua vida com a camisa paranista e depois de 12 anos defendendo o mesmo clube, uma mudança repentina de cores, companheiros e de país, provocou certa insegurança no jogador.
''Devo confessar, tinha muito medo. Joguei minha vida toda no Paraná, passei pela escolinha do clube, pelo infantil, juvenil, então me sentia em casa. E às vezes, o próprio torcedor não bota fé na gente (sic), claro que eu confiava em mim, mas eu vi outros goleiros de nome irem para lá sem conseguir vencer, então a gente fica meio assim...'', revelou.
Porém, bastou o primeiro jogo com a nova camisa para o receio sumir. Em janeiro de 2003, diante do Vitória de Setúbal, a estrela do jogador começou a brilhar. ''Peguei um pênalti logo de cara, aí pensei: as coisas começaram a dar certo por aqui'', relembrou animado.
A partir dali, o goleiro que se caracteriza por sua elasticidade e bom posicionamento readquiriu a confiança e conseguiu transmití-la aos companheiros e especialmente à torcida. ''Graças a Deus consegui manter uma regularidade e os torcedores confiam no meu trabalho e a gente tem um carinho especial deles'', comemora.
Embora não tenha apontado qual partida foi a mais marcante nesse tempo fora do Brasil, Marcos ao rever com a reportagem os melhores momentos dele em DVD, repetiu o lance em que defende um outro pênalti. Desta vez batido por Diego, quando o meia da seleção brasileira jogava no Porto em 2004/05. Outro jogo que mereceu ''replay'' foram as defesas que fez, naquela mesma temporada contra o Celtic na Copa da Uefa.
''Todo aquele ambiente, torcida contra, enfrentar um time tradicional da Europa...Ali você se sente jogador de verdade. Pena que não conseguimos ir adiante e fomos desclassificados na primeira fase, mas conseguimos esse ano nos classificar para disputar novamente'', afirmou o goleiro que ajudou a equipe a ficar entre os cinco primeiros do último Campeonato Português.
Mas com contrato até 2009, é bem provável que nas próximas férias, o goleiro traga ainda maiores lembranças da terrinha.


