Ela já foi a número 1 do Brasil, figurou entre as 200 melhores do mundo e fez o brasileiro sonhar em ter uma mulher do país nos torneios de ponta do tênis. Mas duas sérias lesões de joelhos - sempre eles - a impediram de continuar com sua ascensão. Ficou um ano e meio parada, se recuperando. E, agora, Teliana Pereira vive uma espécie de recomeço da carreira. Paciente, ela vai colhendo pontos em torneios pequenos para tentar voltar a ser destaque no Brasil.
Ela desembarcou em Londrina esta semana para a disputa da Copa Arthrom Futures de tênis, que distribui US$ 10 mil em prêmios e vale pontos para o ranking mundial. ''Estava no meu auge quando me machuquei. Agora, tenho que recomeçar e passar por esses torneios menores até voltar ao nível de antes. Mas o importante é me sentir bem e não sentir o joelho mais'', disse a alagoana de 22 anos. ''O torneio de Londrina é bom, pois têm muitas meninas de fora. É bom para voltar a recuperar o ritmo'', completou.
Teliana se machucou na primeira vez jogando um torneio de quadra rápida nos Estados Unidos. Foram duas cirurgias no joelho direito, para correções no menisco e na cartilagem. Em 2010, após voltar à ativa, já atuou bastante. Disputou os torneios de Brasília e Campos do Jordão, mas machucou a coxa esquerda. Recuperada, foi para três campeonatos na Argentina e, no último fim de semana, conquistou o ITF de Tênis Feminino realizado em Arujá (SP), batendo a argentina Vanesa Furlanetto, na decisão, por 2 sets a 1, com parciais de 4/6, 6/4 e 6/1. Com a conquista, ela somou mais 12 pontos no ranking e deve melhorar bem sua posição. Atualmente, ela é a 769 da lista.
Estrutura
Para Teliana, a falta de estrutura e de recursos é um dos principais fatores que atrapalham o desenvolvimento do tênis feminino no Brasil, que não consegue emplacar nenhuma tenista no Top 100 do WTA. ''Falta apoio, falta estrutura. Não temos muitos torneios no Brasil, então, sempre temos que viajar para o exterior para jogar e isso é muito caro. Mas também as meninas precisam se dedicar mais'', avaliou a medalhista de bronze no Pan-Americano do Rio de Janeiro, em 2007.
Dificuldades, aliás, para ela, não é novidade. Teliana e o irmão, José Pereira Júnior, outro destaque do tênis brasileiro, têm uma bela história de superação na modalidade. O pai de ambos, José Pereira, é um ex-servente de pedreiro, que deixou Pernambuco em 91 para trabalhar numa obra dentro de uma academia de tênis, em Curitiba, a convite do irmão. Virou funcionário da casa e passou a construir quadras. Os filhos cresceram pegando bolinhas nas quadras e viraram tenistas.
Quem ainda engatinha no esporte, mas já surpreende é a paranaense Leciane Silva. Ela conquistou seus primeiros pontos no ranking WTA em Londrina. A curitibana de 14 anos foi uma das atletas que venceu os jogos pelo qualifying da Copa Arthrom e se classificou para a chave principal.
Solidariedade
Além da disputa em quadra as tenistas terão outra tarefa durante o mês do tênis em Londrina: divulgar o Outubro Rosa, campanha internacional de combate ao câncer de mama. Em sua 14 edição, a Arthrom Tenis Cup se juntou à campanha e todas as tenistas jogam com o laço cor de rosa no uniforme, símbolo da ação.

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