Três jogadores que participaram da seleção do tetra são unânimes ao afirmar que a atual edição da ‘‘pátria de chuteiras’’ é uma das favoritas a levar o pentacampeonato, mas advertem que a missão será bem mais complicada dessa vez. Consagrados mundialmente, mas também estigmatizados como campeões de uma Copa sem brilho, Jorginho, Zetti e Dunga ainda confiam acima de tudo na qualidade técnica e na capacidade de improvisação inerentes ao jogador brasileiro.
O esquema europeu adotado por Luiz Felipe Scolari, o 3-5-2, é preterido pelos ex-jogadores, que não escondem a preferência pelo já consagrado 4-4-2, sistema tetracampeão mundial nos Estados Unidos em 1994. ‘‘O futebol brasileiro de adapta melhor ao 4-4-2’’, alegaram.
Dunga, capitão em 94, considera o esquema com dois zagueiros e dois laterais mais adaptável às características do jogadores brasileiros, apesar da maioria deles atuar em clubes da Europa, que utilizam o esquema com três zagueiros. ‘‘O 4-4-2 é mais simples e nem por isso menos ofensivo. Num 3-5-2 os alas se transformam em ponteiros e devem no mínimos fazer quatro cruzamentos por partida. Enquanto um sobe o outro deve ficar na marcação. Se hão houver sincronismo do meio-de-campo, a equipe fica frágil, com muitos espaços na defesa’’, avaliou.
O ex-jogador acredita que individualmente o Brasil ainda é o melhor quadro – ele cita Rivaldo, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho como maiores destaques –, mas fica atrás de outras seleções no quesito entrosamento. A absurda rotatividade de treinadores à frente do Escrete nas eliminatórias – foram quatro em dois anos – ocasionou um time sem identidade e sem organização tática pelo qual passou nada menos do que 90 jogadores. ‘‘Para vencer o Brasil será preciso superação. É um absurdo como essas eliminatórias foram realizadas. Pela falta de organização, ainda não conhecemos nosso time titular à vesperas de começar a Copa. Em dois anos foram quatro treinadores e dezenas de jogadores’’, disse. ‘‘Não se avalia um jogador em apenas uma partida, é preciso dar várias oportunidades, quatro ou cinco jogos para ele se adapatar ao esquema do treinador’’.
O ex-lateral Jorginho, eleito duas vezes pela Fifa o jogador mais disciplinado do planeta, lamenta o reduzido período de treinamentos e prevê muitos obstáculos rumo ao penta. ‘‘Em uma Copa tudo pode acontecer. O Brasil tem condições de superar os problemas e chegar à decisão. Na minha opinião a falta de entrosamento pode ou não prejudicar o desempenho na Copa. A seleção pode se superar na qualidade dos seus jogadores’’, disse.
Mesmo ausente da tragédia de Saint Denis, em 98, Jorginho sonha com um cruzamento Brasil e França na Copa. ‘‘Deus queira que o Brasil bata de frente com eles. Assim como todo brasileiro, estou com aquela derrota engasgada’’, confessou. (G.G.)

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