As conquistas de Gustavo Kuerten ajudaram o tênis a ficar conhecido no Brasil. Até então tido como elitizada, a modalidade ganhou espaço na mídia e conquistou novos praticantes em todo o território nacional. O próprio Guga se orgulha de ter alcançado tal feito. Mas ainda falta muito para que o tênis realmente atinja status de esporte popular e consiga assim descobrir novos candidatos a substituir o ídolo catarinense. Essa é a constatação de treinadores e dirigentes ligados à modalidade.
Com a propriedade de quem conseguiu construir uma história de sucesso no tênis, o gaúcho Marcos Hocevar, de 59 anos, defende a massificação da modalidade como meio de formar "novos Gugas". "Parto de um princípio que é muito básico, a popularização do esporte. O número de quadras ainda é muito baixo. Se formos ver, de 70 para cá aumentou muito pouco a quantidade de quadras no Brasil. Aí vou ampliar, não só no tênis, mas em todos os esportes. Melhorou um pouco, mas ainda é limitado", reforça o ex-jogador.
Para Hocevar, o problema não está no material humano. "Acho ainda que nós somos mágicos. Pelo que temos já conseguimos ter um número um do mundo. Imagine então se houvesse essa massificação. O Brasil tem um poder esportivo muito grande que precisa ser explorado. O tênis exige muita prática e repetição", defende.
Serve de alento ao ex-tenista a construção do Centro Olímpico, no Rio de Janeiro, que terá 17 quadras e ficará pronto até o final deste ano. A Confederação Brasileira de Tênis (CBT) já anunciou que pretende construir lá ao menos mais três quadras e fazer dele um centro para integrar base e profissional do tênis nacional.



CIRCUITO CORREIOS
Gaúcho de Ijuí, Marcos Hocevar foi um dos primeiros brasileiros na história a atingir o circuito mundial. Foi número 30 do mundo, primeiro do Brasil em 1983, e jogou todos os quatro ‘Grand Slams’ - chegou três vezes em quartas de final. Depois de se aposentar, virou técnico e há oito anos trabalha na formação de novos tenistas no Instituto Gaúcho de Tênis (IGT), em Porto Alegre.
Nesta semana, Hocevar está em Londrina, onde acompanha alguns de seus pupilos na etapa londrinense do Circuito Correios, uma espécie de Campeonato Brasileiro de Tênis. Na peregrinação pelo Brasil, ele vê de perto surgirem as principais promessas do Brasil e não titubeia ao apontar quem lhe parece ter mais condições de jogar em alto nível e chegar ao circuito profissional. Para o treinador, os gaúchos Rafael Matos e Orlando Luz, o mineiro João Menezes e o paulista Marcelo Zormann lideram a nova safra, que, segundo ele, tem muito futuro.
"A CBT tem feito um trabalho magnífico na transição, que é a etapa mais importante. E esses meninos vêm de resultados bons no juvenil e já têm destaque também no profissional. Estão aprendendo a lidar com a pressão no juvenil e no profissional também, facilitando a transição", aponta o ex-tenista.

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