Na terra governada pelo polêmico Mahmoud Ahmadinejad, um ibiporãense se destaca. O goleiro Luís Fernando Santos, ex-Londrina, acaba de terminar sua quarta temporada no futebol local. Ídolo do Aluminium Hormozgan, da cidade portuária de Bandar Abbas, o jogador venceu a distância da família e as diferenças sociais para consolidar a carreira por lá.
Fernando defendeu o Tubarão em duas oportunidades, ambas de triste memória para o torcedor. A primeira vez em 2004. Chegou ao clube no fim da Série B do Brasileiro, quando o Londrina já estava rebaixado, e foi titular nas duas rodadas finais. Depois, em 2009, foi o camisa 1 na campanha que culminou na queda para a Divisão de Acesso. Depois do Paranaense, se transferiu para o time iraniano. "Não recebi aquela vez, mas também não entrei na Justiça. Tenho muito amor pelo Londrina", afirmou o goleiro de 31 anos.
O jogador foi para o Irã com outros atletas, entre eles o atacante Rodrigo, hoje na Junior Team, mas foi o único que permaneceu. Os costumes e a cultura local influenciam a decisão de outros brasucas a não ficar no país. Na temporada que acaba de se encerrar, outros dois compatriotas ficaram apenas o primeiro turno e depois pediram para sair. "Quem é solteiro e quer se divertir, não pode ir para lá. Vai quem quer juntar dinheiro e fazer a vida", disse.
Por ser um país islâmico, o Irã tem hábitos bem diferentes aos que estão habituados os brasileiros. Tanto que Fernando, apesar dos quatro anos morando por lá, ainda tem receio em fazer algumas coisas. Não sai de shorts nem de camisetas regata. Também evita ficar saindo sozinho. "Não me arrisco. É uma cultura diferente. Vai que faço algo que não pode", contou.
E ele já fez. Um dos maiores constrangimentos que passou foi dentro do vestiário. Fernando tomou banho após um jogo e foi se trocar em meio aos outros companheiros, que ficaram assustados. "Não sabia que não podia. Saí pelado no vestiário depois do banho e fui repreendido", lembrou.
Além dos costumes, o goleiro precisa superar a distância da família. Ele tem um filho de 13 anos, que é atacante da escolinha do Londrina, e que não encontrou escola para estudar em Bandar Abbas. O fato obrigou a Fernando e a esposa morarem separados durante os quatro anos de Irã. "Ela vai de vez em quando para lá, tipo a cada dois meses", afirmou, lembrando que quando a esposa está no Irã, precisa seguir à risca as normas. "Ela usa aquela saia por cima da calça e lenços na cabeça", contou.
Fernando tem mais um ano de contrato, mas negocia com outras equipes e pode mudar de ares na próxima temporada. Ele gosta do país e diz que não se sente ameaçada por terroristas ou mesmo fanáticos religiosos. "É bem tranquilo, não acontece nada. Só de vez em quando que vemos uns navios de guerra americanos manobrando".

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