Rio - A CBF apresentou ontem o "novo coordenador geral de todas as seleções do Brasil". O escolhido para ocupar o cargo recém-criado foi o ex-goleiro Gilmar Rinaldi, que até então trabalhava como empresário de jogadores de futebol. O anúncio foi feito pelo atual presidente da entidade, José Maria Marin, e pelo seu sucessor já eleito, Marco Polo del Nero, que assumirá o posto no ano que vem.
"Essa escolha foi feita de plena harmonia entre o atual e futuro presidente da CBF", declarou Marin, sentado ao lado de Del Nero no auditório na sede da entidade, no Rio. Já Gilmar tratou de, logo de cara, esclarecer que não atua mais como empresário de jogadores, o que poderia gerar um conflito de interesses no novo cargo. "Primeiro, quero deixar claro que minha atividade, que exerci por 14 anos, já não exerço mais. Minha atividade agora será somente com a seleção brasileira", garantiu.
"Algumas medidas serão tomadas. O treinador será escolhido em conjunto por mim e pelos presidentes Marin e Del Nero", disse Gilmar Rinaldi, ao comentar sobre a procura pelo substituto de Luiz Felipe Scolari no comando da seleção brasileira. "Ele irá fazer uma coisa que eu gosto: estudar, se atualizar. Vamos viajar muito, assistir treinamentos, interagir com outros treinadores. Nós temos que adaptar métodos bem sucedidos do mundo todo ao nosso estilo e à nossa cultura."
Apesar da longa entrevista coletiva desta quinta-feira, Gilmar Rinaldi deu poucas pistas sobre o que realizará a partir de agora, mas indicou que a valorização das categorias de base e o jogo coletivo vão guiar o seu trabalho na seleção. "É uma nova forma de ver as coisas, avançando em coisas que a comissão técnica antiga não teve tempo de realizar. A filosofia de trabalho é simples: a prioridade é da base e também da nossa parte coletiva. Os talentos fora de série sempre vão surgir. Temos que olhar para a nossa qualidade coletiva", explicou o ex-goleiro, reserva na conquista do tetracampeonato mundial em 1994 - na carreira, defendeu também Flamengo, São Paulo, Inter e Cerezo Osaka.
Perguntado na entrevista coletiva sobre a carreira que exercia como empresário de jogadores, Gilmar Rinaldi descartou qualquer conflito de interesses. "Há algum tempo havia desistido do cargo de agente, só fiquei com alguns por lealdade, a quem avisei ontem (quarta-feira). Hoje (quinta-feira), deixei essa função oficialmente. Não tenho nenhuma preocupação com isso. Tenho vivencia pela seleção. Minha historia fala por mim", afirmou o novo homem forte da seleção brasileira.

CRÍTICA
Acompanhando a última Copa do Mundo como torcedor, Gilmar Rinaldi admitiu nesta quinta-feira que ficou incomodado com uma coisa na frustrada campanha brasileira: a mensagem de apoio a Neymar exposta nos bonés dos jogadores e da comissão técnica da seleção momentos antes da semifinal contra a Alemanha, quando o Brasil perdeu por 7 a 1. Para ele, o acessório deveria dar apoio ao substituto do atacante, que ficou fora da reta final do torneio por lesão - no caso, foi Bernard.
"Eu venho do futebol, já joguei com grandes jogadores, então, para mim, a questão da vaidade é natural. O que mais me incomodou nessa Copa foi um boné no jogo contra a Alemanha. Acho que a frase deveria ser 'Força, Bernard'. As coisas no futebol são dinâmicas, tinha que apoiar quem estava entrando. Achei fora de sintonia", avaliou Gilmar Rinaldi, que, no entanto, não fez críticas diretas ao trabalho de Felipão e do restante da comissão técnica durante o Mundial.

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