A Federação Paranaense de Futebol é acusada de depositar R$ 8 mil da entidade na conta da gerente do Mônaco Bingo Show, de Foz do Iguaçu, Maria Aparecida. Os sócios-proprietários da empresa são Augusto Rolim de Moura e Alessandro Henrique Boersch Rolim de Moura, filhos do presidente Onaireves Rolim de Moura. O presidente da federação nega qualquer irregularidade ou ato ilícito na entidade.
A denuncia foi feita por ex-funcionários da Sport House Franquias, nome de registro do Mônaco Bingo de Foz do Iguaçu, que foi fechado em dezembro do ano passado pela Justiça por não pagar direitos trabalhistas dos funcionários.
O advogado Telmar Schossler, que representa 17 das 25 ações trabalhistas contra a empresa, afirma possuir extratos bancários, fitas de vídeo, contratos de publicidade e atas de reuniões que comprovam ser Moura o real beneficiário dos lucros da empresa. ‘‘Recebi esses documentos no meu escritório. Deixaram com um bilhete explicando que entregavam os documentos por não concordar com as injustiças praticadas pelo presidente da federação na Mônaco Bingo’’, explicou. Esses documentos agora estão auxiliando na solicitação de penhora dos bens de Moura. A dívida aproximada da empresa com os funcionários beira a casa dos R$ 70 mil.
O presidente Moura disse que o bingo foi fechado em setembro do ano passado e que vários funcionários foram para Justiça do Trabalho para reclamar seus direitos. ‘‘Estamos acertando as pendências. Até o momento dois funcionários já fizeram acordo’’, explicou o dirigente. Outros 17 mantiveram ações trabalhistas contra a Mônaco Bingo. O dirigente disse também que o empreendimento foi roubado e que desapareceram documentos como cartões pontos.
Com relação ao depósito bancário, Moura nega que tenha usado dinheiro
da Federação em sua conta bancária ou de parentes. ‘‘Esses R$ 8 mil é dinheiro meu. A funcionária do Banestado colocou aleatoriamente o nome da entidade no recibo. O erro foi da moça do caixa. Eu nunca usei dinheiro da Federação. Quando fui citado na Comissão Parlamentar de Inquérito eu abri as minhas contas. Eu não tenho nada a temer’’.
Os funcionários do bingo acusam a empresa de não entregar premiações a clientes. Schossler falou que Foz do Iguaçu não tem tradição de casas de bingos. ‘‘Quando as entregas foram se acumulando, a empresa deu férias coletivas para deixar esfriar a situação. Os funcionários da empresa apareciam para trabalhar, mas os proprietários do estabelecimento não. Chegou um momento em que fornecedores entravam lá e levavam bens para minimizar seus prejuízos’’.
Na quarta-feira, a CPI da Câmara, pediu o indiciamento de 33 pessoas investigadas pela comissão. Moura é acusado pelo relator, Sílvio Torres (PSDB-SP) de ter cometido crime contra a ordem tributária.

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