Ex-dirigentes receberam R$ 5,5 mi da CBV
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quarta-feira, 14 de maio de 2014
Marcio Dolzan<br>Agência Estado 
Rio - A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) pagou pelo menos R$ 5,5 milhões em contratos suspeitos a empresas ligadas a ex-dirigentes da entidade. Foi o que apontou o relatório da auditoria contratada pelo própria CBV no início do ano, que foi apresentado ontem, no Rio.
Em março, uma série de denúncias apresentadas pela ESPN informava que a CBV pagaria R$ 20 milhões em comissões a duas empresas. Do montante, R$ 10 milhões iriam para a S4G, que tem Fábio Azevedo, ex-dirigente da entidade e hoje membro da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) como um dos sócios, e outros R$ 10 milhões iriam para SMP, de Marcos Pina, ex-superintendente da CBV.
Renan Dal Zotto, diretor de marketing da entidade, esclareceu em coletiva de imprensa nesta quarta-feira que os contratos de fato existem, cada um deles com prazo de pagamento de cinco anos. A S4G recebeu R$ 2,9 milhões e teve o acordo rompido em julho do ano passado, enquanto a SMP recebeu R$ 2,6 milhões até outubro - este contrato ainda está vigente.
"Vamos fazer todo o possível para resolver judicialmente as questões que foram denunciadas e todas as que nós percebemos nestes quatro meses", afirmou Renan. "(Queremos) responsabilizar quem estava à frente, quem sabe até buscar os recursos que foram pagos indevidamente", completou.
Vice-campeão olímpico de 1984 e uma das estrelas do grupo que ficou conhecido como "geração de prata" do vôlei brasileiro, Renan disse que não se pode esquecer todos os avanços que a modalidade conseguiu no Brasil nos últimos anos, mas admitiu que houve "falhas" na gestão da entidade. E prometeu mudanças. "Cada centavo que entrar na Confederação Brasileira de Voleibol vai ser reinvestido no voleibol", assegurou.
O diretor também disse que o relatório da auditoria chegou à entidade na segunda-feira, e que fez questão de apresentá-lo, na noite de terça, aos técnicos Bernardinho e Zé Roberto, que comandam, respectivamente, as seleções masculina e feminina. "Os dois vieram de Saquarema (onde fica o CT da CBV), no mesmo carro. É notório e público que existia, sim, uma animosidade entre os dois, mas hoje, mais do que nunca, eles estão imbuídos, conscientes de tudo isso que está acontecendo e aconteceu. É nos momentos de crise que estão as oportunidades", afirmou Renan.
Renan também confirmou a notícia veiculada na terça-feira de que o escritório de advocacia de Valmar Paes, pai do prefeito do Rio, Eduardo Paes, possui contrato de R$ 2 milhões com a CBV, mas afirmou que o acordo é legal. Segundo o dirigente, o advogado presta serviços à entidade desde 2001. O acordo atual foi assinado em dezembro de 2011.
Antes da entrevista desta quarta-feira, a CBV também assinou contrato com a Fundação Getúlio Vargas com validade de um ano. O objetivo é "fortalecer os mecanismos de gestão e governança" e aumentar as "práticas de transparência, prestação de contas, eficiência e representatividade". O valor do acordo é de R$ 1,65 milhão.


