Ex-dirigente diz que o São Paulo perderá R$ 4 milhões na compra de França
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2000
Por Eduardo Maluf 
São Paulo, 25 (AE) - O São Paulo está perdendo cerca de R$ 4 milhões na compra da metade do passe do atacante França que pertence ao empresário Wagner Ribeiro. Há exatamente um ano, o procurador do jogador fez uma proposta ao presidente do clube, José Augusto Bastos Neto, de R$ 3 milhões para adquirir os 50% do passe, segundo informou hoje o ex-diretor de futebol tricolor, Pérsio Rainho.
Na segunda-feira, porém, Bastos Neto vai desembolsar cerca de R$ 7 milhões para ficar com 100% do passe do atacante. Se comprasse no ano passado, teria economizado R$ 4 milhões. A maior parte vai ficar com Wagner Ribeiro e o XV de Jaú, clube que vendeu o jogador em 96 para o São Paulo, receberá uma fatia desse valor.
"Em fevereiro de 99, o Wagner (Ribeiro) disse que queria vender o passe do França por R$ 3 milhões em 20 parcelas. Eu pedi que ele fizesse uma carta informando o valor e repassei ao presidente, que não aceitou", explica Pérsio Rainho. José Augusto Bastos Neto foi procurado pela Agência Estado para comentar o caso, mas não foi encontrado.
França atraiu interesse de clubes europeus nos últimos meses. Em outubro de 99, o Milan tentou contratar o atacante, mas desistiu depois de saber da confusão que envolvia seu passe. No início do ano, a Juventus, de Turim, fez uma proposta de US$ 10 milhões, rejeitada pelo São Paulo. Agora, com 100% do passe em poder, a diretoria pretende recuperar o dinheiro investido através de uma transação milionária.
"É possível que a compra do restante do passe do França pelo São Paulo facilite uma futura negociação com um clube europeu", admite José Carlos Ferreira Alves, diretor de futebol. "Mas só é válido vender o jogador se conseguirmos uma reposição do mesmo nível e se ainda sobrar uma quantia em dinheiro." Após o Campeonato Paulista, alguns clubes italianos farão nova tentativa para levar o atleta, que dificilmente permanecerá no Morumbi até o fim do ano. França admitiu que sonha jogar na Itália, mas garante estar feliz no São Paulo.
Em relação a reforços, o técnico Levir Culpi deve ficar preocupado mesmo, porque, até a ocasião da troca do presidente, dificilmente a diretoria vai atrás de reforços de impacto. "Nessa época, é preciso ter mais cautela para fazer contratações", afirma Paulo Amaral, diretor financeiro. "É preciso admitir que fica um hiato na saída de um presidente para a saída de outro", completa Amaral, que, no entanto, não descarta contratações.


