O londrinense Peter Silva não é mais o presidente da Futebol Brasil Associados (FBA), que comanda a Série B do Campeonato Brasileiro. Ontem, ele foi destituído do cargo por unanimidade, após reunião com representantes dos 22 clubes que participam da competição. Apenas o São Raimundo se absteve. João Nilson Zunino, presidente do Avaí Futebol Clube, é o novo comandante da FBA.
Um dossiê elaborado pelo presidente do Paulista de Jundiaí e diretor financeiro da entidade, Eduardo Palhares, com denúncias contra Silva motivou a destituição do ex-diretor de Marketing do Londrina.
Peter Silva, 44 anos, foi eleito por aclamação em dezembro de 2002 com o propósito de levar dinheiro aos cofres dos clubes que disputam a Segundona, o que não conseguiu. Ele, que não participou da reunião que o destituiu, é acusado por Palhares de desvio de dinheiro, falsificação de assinatura e de bancar viagens de parentes com dinheiro da entidade.
De acordo com o dossiê, Silva teria feito uma ''montagem'' na assinatura de Palhares, o que facilitou a transferência de R$ 10 mil dos cofres da FBA para a conta particular do dirigente, no Banco Real, no dia 20 de abril deste ano. A ''montagem'' teria sido feita através de sobreposição da assinatura do diretor-financeiro.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Silva admitiu ter fraudado a assinatura, porque teria dificuldade em encontrar Palhares, que teria autorizado a transação.
O londrinense também é acusado de pagar passagens aéreas para parentes com dinheiro da FBA, faturadas pela Pallas Operadora de Turismo. Seriam, de acordo com o dossiê, mais de 30 passagens nessa situação.
A outra acusação envolve a agência que forneceu as passagens. Segundo o dossiê, Silva teria assinado em nome de vários clubes um documento que cedia à Pallas a quantia de R$ 7,6 milhões, que a FBA tinha a receber da Rede Globo pelos direitos de transmissão da Série B.
Silva não foi encontrado para comentar a destituição e as denúncias. O celular dele ficou desligado durante toda a tarde e noite de ontem. Segundo o advogado Osvaldo Sestário, ex-presidente do Londrina e diretor jurídico da FBA, Silva estava em casa, no Rio de Janeiro, e no local não havia telefone. Sestário disse estar de posse da ata da reunião e seria o responsável por comunicar a Silva que ele não era mais o presidente da entidade. Uma outra reunião hoje, com o novo presidente, definirá se o advogado também será afastado ou se permanece no cargo.
Somente o novo presidente estava autorizado a comentar o assunto. Zunino preferiu contemporizar e poupar seu antecessor, não entrando em detalhes quanto às denúncias. ''Quem pode falar disso é o Peter e o Palhares'', desconversou Zunino à Rádio Paiquerê AM.
Segundo Zunino, o motivo principal para o descontentamento dos cartolas da Série B era o atraso das três parcelas vencidas que cada clube têm direito como cotas de transmissão, no valor de R$ 80 mil cada uma. ''O dinheiro não estava vindo e houve o descontentamento. Vamos tentar buscar uma solução''.

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