Ex-craque é avesso a homenagens
Porque Nílton De Sordi não é tão badalado como outros titulares que foram campeões mundiais na Suécia? Nos primeiros minutos de conversa com o ex-lateral-direito do São Paulo é possível responder esta pergunta com uma certa facilidade.
No senhor de 71 anos, com milhares de quilômetros de viagens aéreas e centenas de estadias em hotéis de todos os lugares do Brasil e do mundo, ainda está a personalidade retraída do menino que cresceu em Piracicaba, interior de São Paulo, com modéstia, simplicidade e timidez.
As palavras saem calculadas, com cautela. E a vaidade, se existe, é absolutamente escondida. Nunca gostei de homenagem. Tudo que aconteceu comigo é passado. Gosto mais de ouvir, do que de falar, resume o jogador aposentado, que anda com dificuldades devido a um reumatismo e que fala com dificuldades por causa de um problema nas cordas vocais.
As reuniões dos campeões mundiais em 1958 promovidas pela antgia CBD ou pela atual CBF, que ocorreram algumas vezes para comemorar datas redondas de aniversário do título, também não provoca sacrifícios de De Sordi. Ele diz que só foi em uma delas, nas outras não pôde ir.
Às vezes se surpreende com colecionadores de autógrafos europeus, que enviam para a Fazenda Santa Clara papel em branco para ser preenchido com sua assinatura. Vem da Polônia, da Alemanha, de todo o lugar. Mas lá eles têm memória, quase reclama, ponderando em seguida que é um homem muito satisfeito com tudo que conseguiu com o futebol. (L.F.M.)





