Rio de Janeiro – Sem a presença de nenhum de seus companheiros de seleção brasileira, o bicampeão mundial Edvaldo Izídio Neto, o Vavá, foi enterrado na manhã de ontem no cemitério São Vicente de Paula, no Catumbi (zona norte do Rio).
Vavá morreu sábado, aos 67 anos, na clínica São Victor, na Tijuca, após sofrer parada cardíaca. Foi o único jogador na história a marcar gols em duas finais de Copa do Mundo (em 1958, na Suécia, e em 1962, no Chile).
Cerca de 200 pessoas acompanharam o enterro, cujo caixão foi coberto com uma bandeira do Vasco, clube pelo qual Vavá atuou, e um agasalho da CBF.
Integrante da seleção brasileira na Copa de 50, o ex-jogador Jair da Rosa Pinto, 80, criou polêmica durante a cerimônia ao afirmar que Vavá não teve o reconhecimento que merecia. Segundo Rosa Pinto, o bicampeão mundial morreu sem se aposentar.
‘‘A CBF não ajudou o Vavá. Por sorte, ele tinha boa situação financeira. No Brasil, os homens do esporte não dão valor ao passado. Só se preocupam depois que eles morrem’’, afirmou o ex-jogador.
Apenas um dirigente da CBF foi ao local, o diretor de registros Luiz Gustavo Vieira de Castro. Ele disse que, há quatro anos, emitiu um documento para que Vavá solicitasse a aposentadoria pelo INSS.
‘‘Temos um carinho especial pelos craques do passado, mas a CBF não pode resolver o problema de todos’’, disse o dirigente, que informou que a entidade pretende custear as despesas do enterro.
A viúva de Vavá, Míriam Izídio, afirmou que o marido vinha sofrendo muito desde que teve um derrame cerebral, há dois anos. ‘‘No início da semana, ele disse que não estava aguentando mais e pediu que Deus o levasse. Ele descansou. Quem sabe ele não consegue um contrato lá em cima. Seu empresário está lᒒ, afirmou.
Um dos filhos do bicampeão, Edivaldo Izídio, 43, lembrou o jogo de despedida do pai, em 1967. ‘‘Foi entre Flamengo e Portuguesa (do Rio), último time de Vavᒒ. Ele quebrou o nariz do zagueiro Onça e não foi expulso.’’

mockup