São Paulo - Três ex-centroavantes têm alguns palpites para o desaparecimento do atacante de área. Careca acha que o sumiço dos pontas pode ajudar a explicar o problema. ''Com dois pontas abertos, era certo que haveria cruzamentos para o atacante na área. Mesmo alguns laterais já no meu tempo sabiam chegar na linha de fundo e cruzar'', diz.
Careca, que atuou ''apenas'' ao lado de Diego Maradona no Napoli, lembra ainda que no começo de sua carreira, no Guarani, ele tinha pelo menos três jogadores que faziam os cruzamentos, entre eles Bozó e Miranda. ''Hoje, os laterais até que vão ao ataque, mas eles mudaram a direção e embolam as jogadas no meio.''
Para Evair, um exímio fazedor de gols que brilhou no Palmeiras, no Vasco, no Guarani, no São Paulo e em quase uma dezena de clubes, o futebol europeu anda tirando os atacantes do País cedo de mais. ''Um garoto qualquer que aparece no futebol já é oferecido no mercado estrangeiro. Na pior da hipótese, ele vai para Portugal ou para a Rússia'', diz o ex-atacante. ''O dinheiro fala mais alto. Não dá mais para preparar atacantes.''
O até hoje ídolo palmeirense, que já trabalhou como técnico, explica que o jogador de frente dos tempos modernos precisa ser velocista, ajudar na marcação, ter espírito de grupo. ''Não dá mais para ficar somente lá na frente. O atacante tem de ser profissional, treinar e ganhar condição física para ajudar taticamente seu time. As coisas mudaram.''
Existe uma concepção ainda não enraizada no futebol brasileiro que é a do treinador de atacantes. Geninho levou essa idéia para o Santos, quando dirigiu o time da Vila Belmiro em 2001. Assim como existem os treinadores de goleiros, alguns profissionais, como Serginho Chulapa, defendem a criação do treinador de atacantes.
''A idéia é boa, mas ela ainda não encaixou direito nos clubes do Brasil'', disse. Chulapa faz um pouco isso no Santos, onde é auxiliar-técnico de Luxemburgo. Ele sente saudades do velho e bom centroavante do futebol nacional, mas acredita que essa figura imponente na área já á apenas uma lembrança. ''Acho uma baita pena. Mas sei que não volta mais.'' (R.M./Agência Estado)

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