Ex-capitão, Thiago Silva recomeça por baixo
Istambul, Turquia - O capitão voltou. Mas sem sua braçadeira nem uma posição entre os titulares. Nesta quarta-feira, a seleção brasileira faz a sua quinta partida sob o comando do técnico Dunga e, pela primeira vez desde o vexame no Mundial, Thiago Silva integra o grupo que conta com a zaga mais valorizada do mundo.
O zagueiro que na Copa puxava o hino de olhos fechados chega em um time que tem quatro vitórias seguidas e que não sofreu um só gol. Seu recomeço por baixo, tendo de reconquistar a confiança do treinador e a liderança da equipe, é o símbolo de uma nova etapa na seleção em que se busca a todo custo apagar uma decepção que marcará uma geração.
Ao desembarcar na última segunda em Istambul, o capitão da era Scolari admitiu que estava sendo o último da fila a fazer parte do novo grupo. Mas evitou comentar o que seria sua reação se ficasse no banco e sem a braçadeira, hoje com Neymar. "Não fui informado ainda", justificou. O zagueiro, porém, era apenas uma sombra do jogador que, no Mundial, tinha o plano de erguer a taça diante de seu próprio público.
Miranda, que vai ocupar seu lugar, deixa claro que lutará pela vaga e que os resultados mostram que ele tem condição de ser o novo titular. "É um novo ciclo e tento aproveitar minhas oportunidades. Estou aqui para fazer meu trabalho. Quem vai definir quem joga é o Dunga e, independentemente de quem jogar, vamos estar bem servidos".
Sobre o fato de Thiago Silva não ser mais o capitão, a ordem era usar a diplomacia nas respostas. "Temos muitos líderes", disse Miranda. Willian também adotou um tom diplomático. "Thiago Silva é um veterano na seleção".
Teoricamente, a partida desta quarta tem tudo para confirmar a fase de bons resultados. A Turquia vem de três resultados decepcionantes. Perdeu de 3 a 0 para a fraca Islândia, foi derrotada em casa para a República Checa e empatou com modesta Letônia. Os turcos ocupam o 46º lugar no ranking da Fifa, um dos postos mais baixos já atingidos pela seleção. O time é apenas uma miragem daquele que em 2002 terminou a Copa do Mundo em terceiro e no ano seguinte chegou a ser o oitavo no ranking da Fifa.
A seu favor, porém, os turcos contam com sua fanática torcida, capaz de incendiar um estádio e colocar pressão sobre o adversário. Dunga não nega: pode ser bom para começar a sentir o que será jogar fora de casa nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa de 2018. (A.E.)





