Ex-campeão do Dakar já foi tratador de cavalos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 02 de julho de 2007
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
Antes de ser famoso, o piloto de rali e motocross Juca Bala, 41 anos, já foi tratador de cavalos e éguas numa cidadezinha do interior paulista. Isso mesmo: o campeão do Paris-Dakar de 2001 (o maior rali do mundo) e tricampeão do Rali Internacional dos Sertões (em 1993, 1996 e 2001) trabalhou até os 25 anos num haras de cavalos na pequena São Roque, localizada a 59 quilômetros de São Paulo. Como consequência do trabalho, começou a praticar hipismo, seu primeiro esporte.
Essas e outras revelações foram feitas por Juca Bala à reportagem da FOLHA neste final de semana, em Londrina, onde ele veio para disputar duas provas da Copa Guaraná Mix de Cross Country e Motocross. A competição foi em Rolândia e reuniu mais de 3 mil pessoas no Rancho Kentucky, tendo o piloto paulista como a principal atração - ele venceu as duas categorias que disputou (acima de 35 anos e Força Livre).
Simpático e acessível, Joaquim Gouveia Rodrigues, o Juca Bala, conversou com a reportagem da FOLHA ao lado da mulher Sílvia, que acompanha o piloto nas competições. Ele falou sobre a carreira, os planos para o futuro e sobre como começou nas pistas.
''Sou um caso meio atípico. Comecei a pilotar por acaso e de forma tardia, depois dos 25 (anos)'', relatou. Essa história é um capítulo à parte. Em 1990, cansado de correr atrás dos cavalos para trazê-los à sede da fazenda, em São Roque, Juca Bala trocou o seu cavalo de saltos por uma moto. ''Lembro que era uma DT 180, daquelas antigas. Foi minha primeira moto'', recorda o piloto.
''Com a moto ficou bem mais fácil recolher os animais. E como a região lá (São Roque) é muito montanhosa, fui pegando gosto pelos saltos e trilhas. Um dia resolvi disputar um enduro de velocidade na região e acabei campeão. Foi quando tudo começou'', conta o paulista.
Do enduro, Juca Bala logo passou para o cross country, depois para o motocross e na sequência vieram o supercross e arena cross. ''Foi uma época boa em que corri com caras que já são veteranos, como o Jorge Negretti (piloto de exibições da Yamaha) e o Nico Rocha (de Londrina). Depois fui passando aos poucos para o rali e achei mais legal, porque tem mais velocidade e a estrutura das competições é maior'', afirmou.
Juca Bala é o atual líder do Campeonato Brasileiro de Rali, que teve três etapas em 2007: no Maranhão, em Barretos (SP) e em Ilha Comprida (SP). No momento, se prepara para o 15º Rali dos Sertões, que acontecerá em agosto, com um percurso de aproximadamente 4 mil quilômetros. Juca, que já correu 13 edições do maior rali da América, foi 2º colocado em sua categoria (Super Production) no ano passado e 6º na classificação geral.
Quanto ao Paris-Dakar, ele acredita ser difícil uma nova participação - correu entre 99 e 2002 e foi campeão em 2001 e vice em 2002. ''O Dakar é complicado porque é perigosíssimo e muito caro para participar. Só corri antes porque tinha o suporte da equipe Lubrax. Neste momento vou priorizar provas no Brasil e meus projetos pessoais'', disse o piloto, que mantém uma escola de pilotagem em São Paulo.


