Ex-atletas usam paixão para formar talentos
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sábado, 19 de março de 2005
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Por mais que tentem, eles não conseguem ficar longe dela. O convívio de mais de 20, 30 anos, torna impossível a separação da grande paixão. A solução, então, é ficar perto da bola e, melhor ainda, ajudando os outros. Com esse pensamento, ex-jogadores tentam descobrir novos talentos e dar rumo a vidas até então perdidas. Ainda conseguem transformar essa ''mãozinha'' numa mina de ouro.
É cada vez maior o número de profissionais da bola que abrem escolinhas de futebol após pendurarem as chuteiras. A maioria gosta de trabalhar com crianças carentes. É deste grupo que despontam os grandes talentos e é onde estão os meninos que mais precisam de alguém para encaminhá-los na vida.
''A maioria (dos ex-jogadores) praticamente nasceu dentro dos gramados e não consegue se separar. Uma forma é ensinar o que sabemos às crianças e dar o apoio que tanto é necessário nesta fase da vida'', diz o ex-meia do Londrina e do Coritiba, Antonio Ricardo Peruel, o Ricardinho, 38 anos, que comanda o projeto ''Gol de Placa''.
Opinião compartilhada pelo ex-zagueiro do Londrina, José Carlos da Silva, o Zequinha, 47 anos, um dos idealizadores do Centro Brasileiro de Tecnologia Esportiva. ''Desde 1989 trabalhamos com a formação dos garotos, que é muito gratificante'', lembra Zequinha.
O Gol de Placa já existe há quatro anos no campo da Avenida Saul Elkind e conta com 120 meninos de seis a 15 anos, todos moradores da Zona Norte de Londrina. Os que podem, contribuem com valores que variam de R$ 9 a R$ 15, mas a maioria é carente. Neste caso, o ex-meia arrecada material esportivo para que os garotos possam treinar.
A escolinha é mantida pela boa vontade de empresários daquela região. ''Cada um dá o que pode e a gente toca o projeto. Quem tem loja de material de construção dá a cal, o outro dá uma chuteira, uma bola, e assim vai. Hoje em dia não pode deixar tudo para o governo. Tem que procurar outras alternativas'', diz Ricardinho.
O ex-jogador diz que não cobra resultados, mas o melhor de cada um. O objetivo é passar a disciplina, o caráter e formar cidadãos. ''Se tem o sonho de ser profissional, não são todos que vão conseguir, tem que correr atrás e superar as barreiras'', recomenda Ricardinho.
Nestes quatro anos de trabalho na Zona Norte, mais de 600 meninos já passaram pelas mãos de Ricardinho. Alguns já deixaram seu comando para tentar a sorte em clubes maiores. Outros não deram sequência no futebol, mas trocaram de vida. ''É muito gratificante. É gostoso trabalhar com crianças. Elas não têm malícia nem maldade'', ressalta.
SERVIÇO O Gol de Placa fica no campo da Avenida Saul Elkind, atrás do Posto Policial. Informações pelo telefone 8402-7139. O Centro Brasileiro de Tecnologia Esportiva funciona no Iapar. Informações pelo telefone 9997-3452.


